Uma menina de aproximadamente 2 anos de idade foi encontrada sozinha no quarto de um hotel no Centro de Bauru, ontem à tarde. Uma camareira estava passando pelo corredor quando ouviu o choro da criança. O proprietário do estabelecimento chamou a polícia e contou que na noite anterior um homem e uma mulher com a criança chegaram e se hospedaram no hotel.
Após ser achada sozinha no quarto, a menina, que ainda não fala, acabou sendo levada para delegacia. Mas os pais, que retornaram ao hotel no início da noite, disseram que a criança havia sido deixada aos cuidados do dono do estabelecimento e de um funcionário.
Ao Conselho Tutelar, a mãe negou que a menina havia sido deixada trancada no quarto sozinha. “Ela disse que, inclusive, havia combinado um valor para pagar ao funcionário e ao dono do hotel para que eles cuidassem da criança”, relata a conselheira Ivanilde Cristina Abílio Momesso. Já funcionários do hotel disseram que a menina teria ficado seis horas longe dos pais.
Como a criança foi encontrada sozinha no quarto, o Conselho Tutelar advertiu a mãe por escrito. “Foi uma advertência por negligência porque, mesmo que a mãe tenha deixado a criança sob cuidado de outras pessoas, eram estranhas”, explica a conselheira.
Os pais disseram a Ivanilde que são missionários, moram em Campinas e vieram a Bauru para trabalhar com evangelização e, por isso, deixaram a criança no hotel. Após a advertência, a criança foi entregue aos pais. “Agora vamos informar o caso ao Conselho Tutelar de Campinas, para que eles façam visita à família lá para verificar a situação da criança”, completa a conselheira.
Após ser achada pela camareira, a menina, que apresentava bom estado de saúde, almoçou, tomou banho e, sem entender o que estava acontecendo, brincou durante toda a tarde pelos aposentos do hotel, como qualquer criança. Mesmo na presença de estranhos, ela não chorou.
Um pouco agitada, a menina só se concentrou por alguns instantes, quando desenhava com um papel e caneta que ganhou. Em alguns momentos, pronunciava as palavras “mama” e “papa”, como se chamasse por seus pais.
Bem vestida, apenas uma característica causava estranheza: seus cabelos estavam pintados de loiro. Caminhando descalça, mostrava-se incomodada por estar com os pés sujos. Tinha uma chupeta amarrada em um cordão no pescoço e usava saia e blusinha jeans.
O proprietário do hotel, que preferiu não se identificar, disse que os pais da garotinha não apresentaram a certidão de nascimento dela porque tinham esquecido em casa. Eles forneceram seus nomes e um telefone de contato. “Tentei ligar várias vezes, mas ninguém atendia”, disse.
No quarto onde a família estava hospedada, os policiais militares encontraram malas e roupas dos pais da criança.