08 de julho de 2026
Nacional

Acusado de furto, macaco é ‘julgado’

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Apesar das acusações de furto, roubo e lesão corporal, o macaco-prego Chico vai continuar habitando a Mata do Ipê, uma unidade de conservação em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A decisão foi tomada ontem, em uma audiência pública realizada pela Secretaria do Meio Ambiente que durou mais de três horas e reuniu representantes da prefeitura, da Câmara Municipal, da promotoria e moradores da cidade.

O animal, que vive no parque desde que nasceu, tem atacado pessoas e, com isso, acabou dividindo a cidade entre os que defendiam sua permanência e os que queriam que ele fosse embora. Por isso, foi preciso realizar a audiência. Chico vive no parque há cinco anos com sua irmã, Chica.

Nos últimos dois meses, foram registrados cerca de 40 casos de pessoas atacadas pelo macaco. Na tentativa de pegar comida de quem passa pelo local, ele roubava tudo o que encontrava nos bolsos das pessoas, como chaves e celulares. De acordo com o secretário municipal do Meio Ambiente, Ricardo Lima, nenhuma das vítimas foi à audiência, o que, para ele, mostra que o macaco, de fato, não tem culpa.

O Ministério Público pediu um estudo para apresentar alternativas para o convívio do macaco com as pessoas. A primeira reunião de especialistas será segunda-feira. O projeto deve ter como foco a educação ambiental e a criação de uma estrutura que possibilite uma convivência pacífica.

Participaram da audiência mais de 60 pessoas, entre eles o secretário do Meio Ambiente, Ricardo Lima, integrantes da ONG Geasu (Grupo de Estudos de Animais Selvagens de Uberaba) e o promotor de Justiça Emmanuel Carapunarla.

Foi Carapunarla quem argumentou aos presentes que a continuidade de Chico no parque causaria transtornos. Segundo ele, o comportamento agressivo do animal decorre da própria relação com as pessoas: ao receber alimento, o macaco responde com mordidas, o que assusta as crianças, gera reações nos pais, que agridem o animal. Chico, por sua vez, responde com novas agressões.

Somente no mês de julho, 18 ocorrências de mordidas foram registradas por parte dos freqüentadores da Mata do Ipê. Com as mordidas, as pessoas podem contrair raiva e precisam tomar soro anti-rábico. Na cidade, o estoque do medicamento já se esgotou e a prefeitura teve de buscar soro em outros municípios. Além disso, há relatos de visitantes que dão bebidas alcoólicas ao macaco, segundo a assessoria da prefeitura. Os “vícios” ensinados pelos visitantes levam Chico a revirar latas de lixo em busca de comida; dia desses, foi flagrado comendo sapólio.

Na audiência, Cairo Oliveira, 8 anos, que visita o parque todos os dias junto com ambientalistas, leu um texto, escrito por ele mesmo, sobre o “colega” Chico. Na redação, o garoto disse saber que o macaco-prego não tinha pai nem mãe e, por isso, sempre dava conselhos para ele, como o de cuidar da alimentação. Cairo não deixava o amigo comer doce porque temia vê-lo com cárie.