Cabul - O segundo dia de uma conferência em Cabul que reúne cerca de 600 líderes tribais afegãos e paquistaneses foi marcada pela troca de acusações entre representantes dos dois países.
Alheia à reunião, a violência não dá tréguas no Afeganistão, onde dez supostos talebans foram mortos ontem por forças da Otan (aliança militar liderada pelos EUA).
Líderes tribais, religiosos e políticos não se entenderam quanto às causas da violência que atinge os dois países, principalmente nas regiões fronteiriças.
A região, segundo os EUA, serve de refúgio para membros do movimento radical islâmico afegão Taleban e da rede terrorista Al Qaeda.
O deputado afegão Sardar Mohammad Rehman Ogholi acusou o Paquistão em seu discurso ontem dizendo que ninguém pode negar que os terroristas estão nas zonas tribais do Paquistão.
O chefe de uma tribo no norte do Paquistão e ex-deputado Malik Fazel Manaan Mohmand Kujadel respondeu às acusações afirmando que “esta assembléia só terá êxito se enfrentar o verdadeiro problema”, que em seu entender é “a presença das tropas americanas e da Otan, que provoca insegurança”. “De onde eles vieram (os terroristas)? quem os trouxe? quem lhes deu armas? Bush e os americanos. Depois de termos vencido os russos, agora temos que expulsar os americanos, para salvar nossos lares”, afirmou.
Talebans e Coréia
O movimento radical islâmico Taleban começou ontem, pela primeira vez, conversas presenciais com enviados sul-coreanos sobre a libertação de um grupo de 21 missionários mantidos reféns no Afeganistão. O anúncio foi feito por fontes do governo afegão, a reportagem.
Familiares de reféns sul-coreanos do Taleban participaram em ato em Seul ontem.