Buenos Aires - No dia em que os presidentes Néstor Kirchner e Hugo Chávez voltaram a se encontrar, na Bolívia, depois da divulgação do escândalo da mala envolvendo funcionários dos dois países, o governo argentino tentou mais uma vez empurrar para a Venezuela a responsabilidade pela tentativa do empresário Guido Alejandro Wilson de entrar na Argentina com US$ 790,5 mil não-declarados.
O chefe-de-gabinete de Kirchner, Alberto Fernández, disse à imprensa que “há algo que têm que explicar os que nos pediram que embarcássemos no avião a esse senhor e os que aparentemente o conhecem” - uma referência aos três funcionários da petroleira estatal venezuelana PDVSA que viajaram no avião alugado pela estatal argentina Enarsa.
Questionado se Caracas deveria dar explicações, Fernández respondeu: “Há uma parte que precisa ser explicada e não está a nosso alcance”.
Apesar do tom de Fernández, ontem Kirchner e Chávez não trataram publicamente do tema no encontro na Bolívia.
A oposição pede a demissão de De Vido, a quem respondia Claudio Uberti, que foi responsabilizado por ter permitido que Wilson viajasse no avião e, por isso, foi demitido ontem do seu cargo.
Na Venezuela, o chavista Roberto Hernández, vice-presidente da Assembléia Nacional, sugeriu a demissão dos executivos da PDVSA.
Bolívia e a Petrobras
Ontem governos da Bolívia, Argentina e Venezuela assinaram acordos energéticos e anunciaram investimentos de US$ 1 bilhão, em reunião entre os presidentes Morales, Kirchner e Chávez, na Bolívia.
Kirchner garantiu a Morales que se “a Petrobras e a (espanhola) Repsol não fizerem novos investimentos para desenvolver a extração de gás na Bolívia”, que a Argentina os fará. Mas disse que isso não era uma ameaça.