11 de julho de 2026
Nacional

Após caos aéreo, TAM registra primeiro prejuízo em dois anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Marcada pelo acidente do A320 no último dia 17 de julho, a TAM anunciou ontem seu primeiro prejuízo trimestral desde o segundo trimestre de 2005. A companhia divulgou resultado negativo de R$ 28,6 milhões, ante lucro de R$ 97,1 milhões no mesmo período do ano passado.

A empresa aérea estimou em US$ 10,5 milhões os gastos extras que teve com combustível (US$ 7,5 milhões a mais, devido ao tempo extra que os aviões tiveram que sobrevoar os aeroportos esperando autorização para pouso) e hospedagem e alimentação para passageiros de vôos atrasados por mais de quatro horas ou cancelados por conta do caos (US$ 3 milhões).

Pelo padrão contábil americano, a TAM teve um lucro de R$ 69 milhões neste segundo trimestre, ante R$ 146 milhões no mesmo período de 2006. A diferença de resultado nos dois padrões contábeis é decorrente da forma diferente de contabilização do arrendamento dos aviões da empresa aérea. Anteontem, a Gol havia informado que registrou prejuízo de R$ 35,37 milhões (pelo padrão americano) no segundo trimestre, ante lucro de R$ 106,68 milhões em 2006. Pelo padrão brasileiro, lucrou R$ 157,07 milhões, alta de 60% ante mesmo período de 2006. A TAM não estimou quanto perdeu em receitas - ou seja, quanto deixou de ganhar por causa da crise aérea.

Conseqüências da crise, a menor taxa de ocupação e a queda no chamado “yield’’ médio da TAM (indicador da aviação que mostra quanto cada passageiro paga a cada quilômetro voado) foram as principais responsáveis pelo mau resultado da empresa.

O dólar desvalorizado (a maior parte dos custos das companhias é na moeda americana) e a redução dos gastos com combustível fizeram o custo por assento da empresa cair 11,6% ante o mesmo trimestre do ano passado. Por outro lado, a receita por assento caiu bem mais, 22% na mesma comparação, devido à queda nas tarifas cobradas. A taxa de ocupação da empresa nos vôos domésticos foi de 71,1% no segundo trimestre deste ano, ante 74,9% de abril a junho do ano passado. “Com esse resultado, as margens sofreram”, disse, durante a apresentação dos resultados da empresa, o vice-presidente financeiro da TAM, Líbano Barroso.

A margem Ebit (lucro antes de despesas financeiras e impostos em relação à receita operacional líquida), que foi de 13% no segundo trimestre de 2006, caiu para 1,7%. Mesmo com a crise, a demanda de passageiros da companhia cresceu 21,5% na comparação com abril a junho do ano passado.