09 de julho de 2026
Política

Diretório tucano pode levar Parreira à comissão de ética

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

No dia seguinte após ter repudiado formalmente as declarações do vereador João Parreira (PSDB) contra o governador José Serra, o presidente do diretório municipal tucano, Gilson Rodrigues de Lima, garantiu que o assunto está encerrado. No entanto, ele não descartou que, caso o parlamentar mantenha seu posicionamento e não se enquadre aos princípios partidários, a nova Executiva da legenda, que será eleita em convenção no próximo dia 19, poderá deliberar pelo encaminhamento do caso à Comissão de Ética.

“Nos reuniremos, na próxima quarta-feira, apenas para tratar da convenção e esperamos que, por ora, o assunto se aquiete. Mas caso ele persista nos ataques e em seu posicionamento, analisaremos a situação e tomaremos uma atitude em nível de partido. Se o assunto será encaminhado à Comissão de Ética, é a nova Executiva que deliberará sobre isso”, sustentou.

E acrescentou: “Apesar desse entendimento, pode ser que algum integrante do partido não esteja concordando com essa situação e entre com uma representação no diretório. É algo que pode ocorrer, pois o partido é democrático. Mas da parte da direção estamos preocupados em cuidar da convenção do dia 19 e queremos apenas que ele se enquadre aos princípios partidários e seja mais participativo e atuante.”

Lima também admitiu certo desgaste na relação com o parlamentar e cobrou que as críticas, como as feitas por Parreira, sejam feitas internamente no âmbito do partido. “Respeitamos o espírito democrático dele, mas não aceitamos ataques. Além disso, há muitos militantes insatisfeitos com a ausência dele nas reuniões e sua proximidade com o governo Tuga Angerami”, revelou, para depois completar:

“As discussões têm de ser feitas dentro do partido a fim de se evitar eventuais melindres. Foi um ataque gratuito ao governador, que não disse em nenhum momento ser contrário ao projeto de ampliação do aeroporto. Só disse apenas que era questão federal.”

Para o presidente tucano, o enquadramento do parlamentar aos princípios partidários não significa cerceamento à liberdade de expressão, conforme pregou anteontem o parlamentar. “Trata-se sim de uma questão partidária, pois temos uma linha de atuação e queremos que ele se paute por ela, assim como são pautados os demais vereadores de nossa bancada no Legislativo. E isso não significa que o direito dele opinar esteja sendo cerceado. Só não queremos que ele ataque nosso governo”, enfatizou Lima.

O presidente lembrou, ainda, que o partido já se posicionou contrariamente a decisões do governo estadual. “Encaminhamos ao governador no Palácio dos Bandeirantes uma moção contra a instalação de presídio feminino na região e a adaptação das penitenciárias 1(P1) e 2 (P2) para regime semi-aberto. Foi um documento assinado pelo diretório do PSDB contra um ato governamental”, destacou.

Por fim, Lima defendeu o governador José Serra. “A crítica feita a ele não foi verdadeira e criou uma celeuma política. O Serra falou a verdade e o vereador criou um factóide como se fosse um adversário. Se ela partisse de um adversário até entenderíamos, mas não um integrante do nosso partido criar um fato para atacar uma liderança partidária com afirmações inverídicas. A quem interessa esses ataques? Para nós do PSDB local, que estamos nos preparando para a eleição, ou para o grupo do prefeito?”, questionou.