08 de julho de 2026
Política

Campanha é da ‘elite derrotada’, diz PT

Por Fábio Zambeli | Da APJ, especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Um movimento elitista de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva travestido de campanha cívica. Assim é qualificado o ‘Cansei’ pelas principais lideranças do PT no Estado. Ferrenho detrator da ofensiva da OAB paulista, o deputado estadual Rui Falcão, ex-secretário de Governo da gestão Marta Suplicy na capital, questiona a sua legitimidade.

“Os objetivos são político-partidários de oposição ao governo Lula. Muito embora se disfarcem em um discurso de interesse geral da nação. Pelas peças, há um alvo forte, que por sinal foi desautorizado pelo presidente da OAB do Rio, que tachou o movimento de golpista, embora eu nunca tenha dado esta adjetivação ao movimento, e pela OAB nacional, que não patrocina o movimento”, disse Falcão. Falcão fez uma interpelação judicial ao comando da entidade de classe para que seja revelada a origem dos recursos que custeiam a campanha publicitária. O objetivo é embasar uma possível ação popular por improbidade contra seu presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso.

“É evidente que qualquer cidadão tem o direito de fazer oposição, mas, quando uma entidade, como a OAB, se engaja num movimento político-partidário, deveria, no mínimo, consultar seus associados. E não o fez.” Para o parlamentar petista, alguns elementos do ‘Cansei’ denotam sua suposta parcialidade.

“Quando houve a tragédia do metrô não houve um pronunciamento público da OAB pedindo a rápida apuração, que por sinal, se arrasta há sete meses. A OAB poderia muito bem ajudar, disponibilizar advogados. Ela se diz preocupada com a transparência, mas não houve nenhuma posição pedindo a investigação do escândalo da CDHU ou da Nossa Caixa. Não há pressão deste movimento para que o presidente da Assembléia implante estas CPIs. Isso demarca o caráter partidário e oposicionista deste movimento.” Falcão contesta ainda a participação de representantes de companhias multinacionais no movimento - o presidente da holandesa Philips para a América Latina, Paulo Zottolo, aderiu à mobilização e bancou informes publicitários nos veículos de comunicação referendando a iniciativa.

“Abuso é uma multinacional como a Philips interferir em questões do nosso país. Se é uma empresa brasileira opinar sobre assuntos internos da Holanda, não fica uma semana”, disse. O petista ironiza o perfil do ativista do ‘Cansei’ e o classifica de oportunista e desrespeitoso com as famílias das vítimas do acidente com o Airbus da TAM.

“Trata-se de um descontentamento daquela elite derrotada nas urnas que não se conforma com o segundo mandato do presidente Lula. Uma das peças do movimento define o caráter essencial deles: ‘cansei de não fazer nada’. São pessoas que não estão muito vinculadas ao mundo do trabalho, que não estão participando de nenhum tipo de atividade cidadã há alguns anos e agora acharam um gancho para atacar o governo federal. E da pior maneira possível, surfando no sentimento de famílias que perderam seus entes queridos numa tragédia.”

Para Rui Falcão, já teria ocorrido um arrefecimento das manifestações com as últimas pesquisas de opinião pública que atestam a inabalável popularidade de Lula ante a crise aérea.

“Há uma retração depois que eles viram a pesquisa que mostra que a popularidade do presidente está forte em todas as faixas de renda e escolaridade.” O deputado pede que o eleitorado descontente com o governo petista use as urnas para expressar seu desejo.

“Aqueles que não toleram a presença do Lula, do nosso programa de mudanças estruturais, tem aí 2010, que escolham um candidato. Hoje substituir alguém que a gente não gosta tem que ser pela urna, não dá para ser pelo golpe, pelas campanhas enrustidas, pela manipulação da dor. Tem que ser pelo voto.”