Além da proteína, o leite e a carne têm outra coisa em comum nas últimas semanas: o preço alto. Pesquisa feita pelo Data-ITE, órgão da Instituição Toledo de Ensino (ITE), aponta que o preço mínimo da cesta básica em Bauru subiu nos últimos dois meses. Somente em julho, o aumento foi de 1,59% em comparação com o mês anterior. A carne e o leite são os produtos que, ultimamente, mais pesam no bolso do consumidor na hora de ir ao supermercado.
A alta desses produtos “puxou” para cima o preço da cesta básica. Nos últimos 30 dias, a carne sofreu aumento de 19,4% e o leite, 18,5%. Sendo assim, o preço mínimo da cesta básica em Bauru, que era de R$ 187,07 em junho, passou para R$ 190,04 em julho. Para driblar os aumentos, o consumidor pode substituir esses alimentos por outros mais baratos ou diminuir a quantidade na hora de fazer as compras, segundo orienta o economista Reinaldo Cafeo, coordenador do Data-ITE.
“As famílias de classes mais baixas são as que mais sentem o impacto desse aumento no orçamento. Além da carne e do leite, o preço da farinha também deve subir”, prevê. Ele explica que com a crise de energia na Argentina, parte do trigo produzido no Brasil deve ser exportada para lá, fazendo com que o produto fique mais caro no mercado interno.
Na avaliação do economista, carne e leite também continuarão com valores altos pelos próximos 60 a 90 dias. “Com a febre aftosa na Europa, é vantajoso vender a carne para os países estrangeiros, pois o euro (moeda oficial de muitos países da União Européia) vale mais (do que o real)”, diz Cafeo. “Até a demanda e a oferta desses produtos se equilibrarem, o preço deve continuar em alta”, ressalta.
O economista orienta os consumidores a pesquisar os preços e comprar alimentos que estiverem em promoção. “Na época da inflação, anos atrás, o brasileiro estava acostumado a estocar comida e congelar alimentos. Não é o caso agora, mas se ele encontrar carne em promoção, pode levar um pouco mais do que o de costume. Vale até ligar o freezer que estava sem uso”, aconselha.
Economia
Alessandra Pedroso, 29 anos, já segue a orientação do economista. “Quando o preço está bom, compro frango e congelo. Faço o mesmo com a carne”, conta. Já em relação ao leite, ela e o marido diminuem o consumo para que o filho possa tomar. “Tenho uma criança de 3 anos que não pode ficar sem leite”, diz.
O casal Silval Barbosa de Souza, 59 anos, e Sebastiana da Silva Souza, 56 anos, também dá preferência para a neta tomar leite. “Ela tem 10 anos e está em fase de crescimento”, diz o avô. “A gente toma mais suco”, completa Sebastiana.
Na casa de André Luiz Rios, o consumo de carne e leite não se altera, mesmo com a alta de preços. “São os alimentos que não podem faltar na mesa e são insubstituíveis”, diz. Para a costureira Maria Eugênia da Silva, 73 anos, também não haverá mudanças. “Não tomo leite há três anos, pois substituí pelo leite de soja. Também não como carne vermelha. Ainda bem”, diz.
A pensionista Maria Conceição Alves Rocha, 65 anos, encontrou uma boa solução. “Ultimamente, compro leite de saquinho porque está bem mais barato. Custa, em média, R$ 1,30, e o leite de caixinha está R$ 2,00”, compara.
O gerente de um supermercado da cidade, Donato Avelino da Silva, acredita que o preço do leite começará a diminuir nos próximos dias. “O consumidor sentirá a queda de preço aos poucos”, afirma.
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Alimentação
Se analisados separadamente os grupos de produtos que compõem a cesta básica do brasileiro, os itens de limpeza doméstica foram o que mais tiveram aumento - de 6,64% - de preços no último mês na comparação com os de higiene pessoal (5,54%) e alimentação (-0,04%).
Apesar do grupo alimentação ter apresentado queda de preço em julho, os produtos estão caros porque houve alta acima da média no acumulado dos últimos meses. Os dados são da pesquisa mensal realizada pelo Data-ITE em vários supermercados de Bauru.