11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Análise de combustíveis em Bauru poderá ser periódica

Por Marcelo de Souza | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O motorista que passou ontem pela Praça Portugal pôde verificar se a gasolina utilizada em seu veículo era ou não de boa qualidade. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, que trouxe o projeto para a cidade, foram analisadas 52 amostras de gasolina, 25 de álcool e três de óleo diesel. Deste total, quatro amostras de gasolina estavam fora das especificações, conforme determinado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A iniciativa teve o apoio do Jornal da Cidade.

A atividade de ontem foi uma iniciativa inédita do Sincopetro para o Interior do Estado, já que na Capital paulista as coletas de combustível para análise imediata são feitas semanalmente. Ontem, o sindicato realizou a campanha com recursos próprios. Mas de acordo com Siqueira, existe a possibilidade de torná-la periódica através da união entre donos de postos da cidade.

“Os resultados de hoje (ontem) foram muito bons, mostram que a qualidade do combustível vendido em Bauru é boa. Mas o ideal é fazer parcerias para que seja possível realizar o projeto mais vezes. Um grupo de cinco donos de postos já se ofereceu para ajudar dividindo os gastos (para trazer o laboratório móvel de análises até Bauru). Dessa forma, é possível fazer isso mais vezes”, diz Siqueira. O equipamento utilizado na campanha mostra o resultado da análise em cerca de cinco a dez minutos.

Os motoristas que passaram pela Praça Portugal ontem aprovaram a iniciativa e concordam que seja feita periodicamente. “Ajuda a gente a saber o que está colocando no carro, se é confiável ou não”, comentou o comerciante Sandro Buccalon. Ele afirmou que saiu de casa e foi direto à praça para fazer a análise da gasolina de seu veículo. De acordo com o comerciante, “não dá para vacilar na hora de abastecer”, já que o barato hoje pode ser um prejuízo enorme amanhã. “É importante colocar gasolina em postos com bandeiras confiáveis”, frisou.

Incentivo

O eletricitário Luiz Real também aprovou a iniciativa do Sincopetro. Segundo ele, se ocorresse mais vezes, coibiria a adulteração de combustível. “A gente precisa saber o que está colocando no carro”, ressaltou.

O técnico especializado em combustíveis José Reis deu razão ao eletricitário. Ele participa semanalmente da análise de combustíveis feita em bairros de São Paulo toda terça-feira e afirma que, desde 2004, quando começou a vistoria, o índice de adulteração diminuiu bastante. “No começo havia 72% de adulteração, agora os índices ficam entre 10% e 15%”, afirmou.

Reis destaca que o consumidor pode buscar seus direitos caso se sinta lesado. Se for detectado que o combustível foi adulterado, o motorista deve procurar o Sincopetro ou a ANP e fazer a denúncia.

Wagner Siqueira reiterou a recomendação ao consumidor para que o abastecimento do veículo seja feito sempre no mesmo posto. Se o carro não apresentar problemas relacionados à qualidade do combustível, é sinal de que o estabelecimento é confiável. “Além de você confiar, se por ventura a pessoa tiver um problema no veículo, vai saber onde reclamar.”

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Adulteração

Para saber se a gasolina está adulterada, a análise é feita dentro dos parâmetros estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo o técnico José Reis, existem índices que devem ser respeitados. A porcentagem de álcool anidro misturado à gasolina, por exemplo, deve ficar entre 24% e 26%. Se for maior ou menor do que isso, é sinal de combustível adulterado.

Outros itens que devem ser observados são a concentração de benzeno (máximo de 1%), olefínicos (máximo de 30%), aromáticos (máximo de 45%), xileno e tolueno (máximo de 30%) e saturados, que não têm um percentual máximo, mas o técnico aponta como ideal entre 38% e 39%.

Já a análise de octanagem deve ter valores acima de 87% para o índice de resistência e 82% para o índice de explosão. Se o percentual detectado for abaixo desses valores, significa que há solvente na gasolina.