“Ele está debutando”, diz o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho. O Calçadão da Batista de Carvalho vai completar 15 anos no próximo dia 22. Na extensão de suas sete quadras tem espaço para tudo: do popular ao chic, do exótico ao simples.
Inaugurado em 1992, a reforma que transformou a rua em um calçadão demorou cerca de sete meses. “Como toda obra, foi longa e sofrida, mas valeu a pena”, avalia Carvalho. O pai dele, Itacolomy Carvalho, 83 anos, também se lembra dessa época. “Andávamos pela rua para fiscalizar o trabalho da empreiteira. Vimos as modificações das fachadas das lojas e a colocação das pedras no chão”, conta.
Como atual proprietário de uma loja que está no mesmo local desde 1924 e já passou por três gerações da família, Cássio acompanhou a evolução da via. “Muitas lojas foram vendidas ou fecharam suas portas. Isso é normal porque o comércio é dinâmico. Mas a amizade e o respeito unem os lojistas”, diz.
O comerciante e atual presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Sérgio Evandro do Amaral Motta, outro veterano, avalia que se a rua não tivesse virado calçadão, o comércio no local teria se tornado inviável. “Os automóveis disputavam lugar com os pedestres. Os consumidores ficavam espremidos na calçada”, lembra-se.
Passam pelo comércio, diariamente, entre 30 mil e 50 mil pessoas. Eletrodomésticos, roupas, calçados, produtos de R$ 1,99, móveis, lanchonetes, sorveteria, lotérica, loja de jóias, de brinquedos, de lingeries, de produtos de beleza e higiene. A diversidade é o que mais encanta a telefonista Cláudia Meire Gal da Silva, 21 anos. “Me distraio olhando as lojas, é um lazer para mim. Quando penso em comprar algo, encontro nas lojas do Calçadão”, diz. Pelo menos uma vez por semana, ela passeia por lá.
Visita rotineira
A cozinheira Maria do Carmo Pacífico não se contenta com um dia da semana. Ela jura que passa pelas lojas do Centro uma vez por dia. “Quando saio do trabalho, venho para cá”, diz. ‘Batistar’ é quase um esporte para ela. “Adoro o Calçadão. Distraio a cabeça e não penso em coisas ruins quando estou passeando por aqui. Venho com as amigas ou até mesmo sozinha”, diz.
Na Batista de Carvalho tem lugar também para personagens exóticos. O palhaço “Chuvisco”, Cláudio da Silva, 38 anos, que o diga. Há três meses morando em Bauru, ele admira as pessoas que passam por lá.
“Muitos pensam que no Calçadão todos passam com pressa, sem tempo para conversar com um palhaço. Descobri que isso não é verdade. Todos param para dar um abraço, uma risada e conversam comigo. Os bauruenses são muito simpáticos. Pretendo morar por muito tempo na cidade”, diz o artista. Nascido em Joinville, Santa Catarina, ele já percorreu dezenas de municípios do Brasil.
Da janela de seu apartamento, no sexto andar de um edifício localizado no Calçadão, o administrador de condomínio Paulo Violante assiste os pedestres transitarem pela via. Morando há 17 anos no mesmo local, ele lembra-se da época em que a Batista era uma simples rua. “O barulho dos automóveis incomodava bastante. Prefiro ver o movimento e a diversidade de pessoas que passam por aqui. O Calçadão está no quintal da minha casa”, brinca.
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Nova cobertura
A atual cobertura do Calçadão da Batista de Carvalho, já danificada pelo vento, chuva e sol, será trocada. “Vamos reformar as coberturas, mas ainda não definimos o cronograma da obra”, diz Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC).
Na opinião de Sérgio Evandro do Amaral Motta, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a troca dos famosos arcos azuis será uma boa modificação. Na opinião de Cássio Carvalho, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a via deveria ser mais limpa. “De manhã, quando chego para trabalhar, a rua já está suja”, diz.