Buenos Aires - Os governos da Bolívia, Argentina e Venezuela assinaram acordos energéticos e anunciaram investimentos de US$ 1 bilhão, em reunião entre os presidentes Evo Morales, Néstor Kirchner e Hugo Chávez, em Tarija, no Sul da Bolívia.
Kirchner garantiu a Morales que se “a Petrobras e a (espanhola) Repsol não fizerem novos investimentos para desenvolver a extração de gás na Bolívia”, que a Argentina os fará. Mas disse que isso não era uma ameaça.
“Querido Evo, se esses empresários não cumprem, seja Petrobras ou Repsol, pegue o telefone, pois os argentinos investirão para gerar o necessário”, disse Kirchner.
Morales ameaçou retirar os poços das empresas que não realizarem investimentos. “Os campos que não receberem investimentos serão recuperados pelo Estado sem medo e com ações e decisões políticas”, disse Morales.
Os campos gasíferos estão justamente na região de Tarija, perto da fronteira com a Argentina, onde estão a Petrobras, a espanhola Repsol, a francesa Total e as britânicas British Gas e British Petroleum.
Estima-se que 85% do gás que a Bolívia possui estejam aí, e esses investimentos são necessários para a extração do gás que os argentinos importam. As companhias petrolíferas congelaram os investimentos no país devido ao clima de instabilidade política e a estatização decretada por Morales em maio do ano passado.
Distribuindo dólares
O encontro na Bolívia é a última etapa de uma turnê regional em que Chávez ofereceu ajudas financeiras aos quatro países que visitou, em seu objetivo de liderança regional. No Equador, ele ofereceu cooperação para a construção de uma refinaria de US$ 5 bilhões.
O venezuelano anunciou que pretende comprar US$ 1 bilhão em bônus da Argentina, metade do valor “imediatamente”. No Uruguai na semana passada, Chávez prometeu colaborar com a expansão da única refinaria do país e garantir acesso ao petróleo e gás venezuelanos.
Na quinta-feira à noite, Chávez acertou um investimento de US$ 600 milhões para explorar petróleo e gás natural na Bolívia, entre as duas estatais petrolíferas, PDVSA e YPFB. Morales e Kirchner combinaram a construção de uma usina para separar líquidos do gás natural por US$ 450 milhões.