08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tribuna do leitor - 13-08-07


| Tempo de leitura: 4 min

Fantasias virtuais

Nos tempos de dinamismo, alta velocidade de comunicação, estresse... e mesmo com tudo isso, há necessidade de se estar sempre impecável e ainda de se destacar. Tal fato faz com que deixemos alguém ali de canto, quase totalmente esquecido: o afeto. Quase, porque às vezes, por um espasmo de nostalgia, nos embebeda e diz para visitarmos velhos amigos. Ao chegarmos ao portão e olharmos ocasionalmente para o relógio, começa o arrependimento. Esse somente é saciado quando somos arremessados de volta ao mundo em que vivemos. Despedimo-nos dizendo: “Desculpe, mas o tempo urje, tenho de voltar ao trabalho”.

Há muito deixamos de lado as floriculturas. Essa é dispendiosa, tem-se de escolher a mais bela flor, conversar com diferentes pessoas, antes disso ainda achar uma vaga para o carro ou estar disposto a uma boa caminhada. É mais inteligente, mais rápido mandar um e-mail ou um cartão vitual. Por preguiça, os tais não serão lidos e seu remetente mal saberá quem enviou.

Nossas lembranças são “virtuais”, porque são feitas pelo computador e porque são fingidas por nós. Não recordamos mais o último abraço sincero de “Parabéns”. Seja esse em pessoas que merecem a nossa atenção, nosso carinho, nosso afeto de ao menos lembrar a data. Quando é que deixaremos os nossos amigos reais por um amontoado de códigos e criptogramas que mesmo com muito penar nunca serão nada além de sequências numéricas friamente calculadas para satisfazer nossas fantasias de amor?

Vítor Marise, estudante

Revivendo o passado

Li a reportagem no JC de hoje (8/8, pág. 27) intitulada “Passageiros levam tristeza e alegria ao trem”, com texto da ilustre e competente repórter. Senti um misto de emoções, alegrias e tristezas, entre um passado áureo e um presente de decadência.

Fui ferroviário da extinta NOB, autarquia federal do Ministério dos Transportes, época que as ferrovias eram valorizadas, com excelente meio de transporte de cargas e trens de passageiros. Do mesmo modo, o ensino público com os cursos primário, ginasial e colegial, com padrão de qualidade de ensino, com professores prestigiados, valorizados e muito bem remunerados.

Exonerei-me da NOB em 1955, para ingressar no magistério público primário do Estado/SP. No mesmo ano fui nomeado professor primário titular da escola rural masculina do bairro do Ribeirão Grande, de 1.º estágio, difícil acesso, município de Alto Alegre. Morava no sítio, casa de barro, chão de terra batida, sem porta, apenas uma cortina feita de pano de saco, colchão de palha de milho, sem luz elétrica, água de poço, luz de lamparina de querosene, sem rádio, total isolamento.

Daquelas duas fases áureas, ferrovia e ensino público, hoje vivo e assisto a decadência das ferrovias e do ensino público. Esplendor e decadência. É muito triste, conforme o próprio título da reportagem “Passageiros levam tristeza e alegria ao trem”.Com apreço, admiração e respeito, apresento à prezadíssima jornalista meus cumprimentos pela matéria jornalística que me fez reviver o passado em paralelo com o presente. Parabéns.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério do Estado/SP

Protesto contra INCITAÇÃO

Há mais de 30 anos sou ouvinte do rádio bauruense, mas infelizmente de uns tempo para cá não consigo sintonizar uma emissora pioneira do rádio de Bauru. Não por problemas técnicos, mas sim pelas palavras proferidas pelos seus radialistas. Hoje (09/08/07) não consegui conter minha indignação, para minha surpresa um radialista que conheço pessoalmente, tinha o maior respeito e admiração pelos tantos anos de rádio, proferiu palavras pesadas contra os trabalhadores da Emdurb dito por ele azuizinhos. Não entrarei no mérito se estão corretos em multar ou não, mas o radialista nunca poderia incitar a violência da maneira que fez no ar dizendo: “Os azuizinhos têm que apanhar mesmo”, repetindo várias e várias vezes.

Sr. radialista, em nome de minha mãe Valentina, minha irmã Rosa e tenho certeza de vários ouvintes, deixo o meu protesto, a minha indignação e peço que as autoridades cumpram o seu dever e tomem providências, pois já estou imaginando no ano de 2008, época de eleição, o que nos espera. Saiba que a minha audiência nunca mais terá.

Isabel Cristina Bueno

Árvores no aeroporto

Aproveitando a discussão do momento sobre os aeroportos, quero sugerir à autoridade responsável pelo novo aeroporto de Bauru que plante árvores no seu estacionamento para veículos, ao redor do terminal e em outros locais onde isso seja possível. Assim, daqui a alguns anos os automóveis dos visitantes, passageiros, funcionários e taxistas não mais precisarão ficar “fritando” ao sol e talvez a temperatura do local se tornasse mais agradável, além de tal medida contribuir para reduzir o impacto ambiental provocado por aquela obra e embelezar as instalações.

Adriano Aparecido Bruno