09 de julho de 2026
Internacional

Irã: ministro do petróleo é substituído

Folhapress
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Teerã - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, substituiu o ministro do Petróleo, Kazem Vaziri-Hamaneh, ontem, uma medida que analistas vêem como um sinal de suas intenções de aumentar seu controle na indústria, que é a maior fonte de arrecadação do Irã.

Agências de notícias do país receberam um comunicado do presidente anunciando a mudança, sem explicar os motivos, mas afirmando que o chefe da estatal Companhia de Petróleo Nacional Iraniana (NIOC, na sigla em inglês), Gholamhossein Nozari, ocuparia o cargo provisoriamente.

Uma autoridade do setor, que ainda não havia sido informada oficialmente da substituição, afirmou que tal iniciativa não deveria marcar uma alteração nas políticas do Irã em assuntos da Opep, mas poderia ser um sinal de uma reestruturação na administração do setor público pelo presidente, a que Vaziri-Hamaneh se opunha.

"Eu estou agradecendo pelo trabalho durante seu período no ministério", cita a agência de notícias ISNA sobre a carta.

O documento também diz que Vaziri-Hamaneh se tornaria um assessor do presidente em assuntos de energia no quarto maior produtor de petróleo do mundo, que ganhou mais de 50 bilhões de dólares de exportações brutas no ano até março, colhendo ganhos do aumento de preços.

O ministério foi recentemente acusado de fechar um acordo para a venda de gás para a Índia e Paquistão, via gasoduto, a preços muito baixos.

Analistas dizem que a indústria do petróleo no Irã precisa de uma grande injeção de investimentos estrangeiros para alcançar as metas de aumento de produtividade acima dos atuais 4 milhões de barris por dia.

O ministro também terá que enfrentar o desafio de implementar um racionamento de gasolina que gerou protestos em junho.

"O que poderá mudar se Nozari assumir o comando é que muitas autoridades que previamente Vaziri-Hamaneh resistia em substituir serão substituídas", disse uma autoridade que pediu para não ser identificada.

Analistas dizem que isso pode levar a maior oferta de novos contratos de desenvolvimento de energia para empresas iranianas, que já têm maior atuação do que as estrangeiras.

Empresas estrangeiras estão hesitantes em investir no Irã em meio a ameaças de uma terceira etapa de sanções da ONU devido ao programa nuclear do país.

Um analista iraniano afirmou que a troca do ministro parece ser parte de um plano maior do presidente para ganhar mais controle do setor.