11 de julho de 2026
Nacional

Para Anac, espaço maior nos aviões beneficiaria só 5% dos brasileiros

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Cinco dias após o ministro Nelson Jobim (Defesa) defender mudanças no espaço interno das aeronaves para garantir conforto aos passageiros, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, disse ontem que a medida irá beneficiar “apenas 5% dos brasileiros” que viajam de avião e que “atender a essa minoria” causará o aumento no preço das passagens aéreas. “Não dá para fazer uma adaptação à realidade brasileira sem que isso implique custo.”

Questionado, Jobim foi categórico: “Não sei o que ele disse ou deixou de dizer, isso não importa. Existe um desconforto de toda a população. O Jobim tem 1,90 metro, Britto tem um e sessenta e poucos”, disse, em alusão à conversa que teve com o ministro Carlos Ayres Britto, do STF. Pesquisa da Anac nos Estados demonstrou, diz Zuanazzi, que “5% dos brasileiros não estão confortáveis nas aeronaves”. “Somente isso, o que não significa que seja um assunto menor”, disse.

O levantamento levou em conta o tamanho e o peso dos passageiros. A proposta da Anac é definir um número de poltronas nas aeronaves que atendam a pessoas como Jobim. “A idéia é termos pelo menos alguns espaços especiais para isso.” Como a mudança “mexe com interesses econômicos”, Zuanazzi anunciou ontem que a partir de hoje a agência fará consulta pública de 30 dias para discutir o assunto. Só depois disso a Anac tomará posição.

O prazo se choca com o definido por Jobim para que o Conselho Nacional de Aviação Civil delibere sobre o tamanho nos aviões. Jobim quer uma resposta em 23 de agosto - 13 dias antes do fim da consulta pública. Zuanazzi disse que em todo o mundo apenas o Reino Unido tem uma legislação sobre o espaço interno nas aeronaves e que o único regulamento internacional sobre o assunto em vigor define que “a distância entre um assento e outro deve ser de 29 polegadas (73 centímetros)”, para permitir que a aeronave seja esvaziada em 90 segundos em caso de emergência.

Antes de participar de audiência pública no Senado, Zuanazzi disse que a agência vem sofrendo perseguição política. Afirmou ainda que a diretora Denise Abreu, acusada de lobby, é “competente”.

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Privatização de pistas

Brasília - O presidente da Infraero (estatal que administra os aeroportos), Sérgio Gaudenzi, disse ontem ser favorável à privatização de parte dos aeroportos brasileiros. Durante depoimento à subcomissão temporária de regulamentação dos marcos regulatórios do Senado, Gaudenzi afirmou, no entanto, que somente dez dos 67 aeroportos do País poderiam despertar interesses para investimentos por serem superavitários. “Eu não tenho preconceito com relação à privatização. Temos 67 aeroportos, dez superavitários e 57 como deficitários. Talvez poucos (investidores) tivessem interesse em participar de licitações. Mas não tenho preconceitos de entrar na área privada”, afirmou.

Em uma sessão esvaziada, com a presença de apenas quatro senadores, autoridades do setor aéreo prestaram esclarecimentos sobre a crise que atinge o setor.

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, rebateu críticas sobre a atuação da agência na regulamentação do setor aéreo. “Às vezes vêm críticas como se nós tivéssemos responsabilidades que não são nossas. Se estereotipou a responsabilidade nas costas da Anac que ela não pode assumir”, afirmou.

Zuanazzi afirmou, por exemplo, que a Anac não pode ser apontada como responsável por ampliar o tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas (SP). O presidente da Anac também disse que, ao contrário das críticas recebidas pela agência, ela não deixou de punir companhias aéreas por irregularidades cometidas com os passageiros.