09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Omissão, mentiras e outros pecados


| Tempo de leitura: 3 min

Todos os problemas que analisamos em nosso País, fruto da má gestão pública, vêm sempre acompanhados de um governante com muitas mentiras, algumas omissões e dezenas de outros pecados administrativos para com a população que os elegeu e paga caro por isso durante quatro ou até oito anos.

Nossas elites políticas, em todas as esferas do poder público, desconhecem a palavra ética. Não entendem o que representa a expressão popular “No fio de bigode”, nem a importância da honestidade como mola propulsora de todas as ações e atitudes de um homem público. Antes de se elegerem, mentem utilizando um vasto repertório de promessas inatingíveis. Depois de eleitos, eles se omitem de todas as suas responsabilidades assumidas e sacramentadas em ato que inclui juramento perante à Nação.

Esse círculo vicioso, que não tem fim e que nos faz perder a esperança na coisa pública, no homem público e, principalmente, na política como principal aríete para a resolução de todos os nossos problemas sociais. A desigualdade social, a injustiça na distribuição de renda, a carga tributária exorbitante, a falácia dos programas de cunho social e a falta absoluta de transparência nas ações governamentais em todas as suas instâncias nos deixam à margem completa do processo político nacional.

São tantos os problemas a serem resolvidos que, a cada dia que passa, mais crescem o abismo entre o certo e o errado, maiores são as despesas necessárias para que o nosso País possa, enfim, um dia se chamar de Nação. Nossos governantes são, na verdade, um arremedo de administradores públicos. Uma parte é iletrada e totalmente despreparada. Outros são letrados, mas sem nenhuma experiência administrativa que possa justificar suas manutenções à frente de quaisquer cargos públicos.

O sistema político nacional é, com certeza absoluta, o pior entre todos os países do planeta onde vigoram o sistema democrático através do voto popular. Ainda por cima, somos obrigados, depois de cada eleição, a assistir nossos governantes arrumarem cargos para seus colegas de partido, bem como para todos os componentes de suas bases aliadas, sem que os mesmos possuam qualquer qualificação técnica para o cargo a ser ocupado. Isso acaba impingindo uma série de problemas em nosso cotidiano, quando um médico vai tratar de finanças e um economista fica na pasta da saúde, só para ficar num exemplo recente. Para os lugares dos parlamentares escolhidos, sobem os suplentes. Então, você, eleitor, imagina o seguinte: elegeu um oportunista que, ao tomar posse troca de partido, busca resolver seus interesses pessoais e ainda aceita o primeiro convite para ocupar cargos nas estatais, secretarias e ministérios, deixando em seus lugares candidatos piores que eles próprios, via de regra.

A ganância de uma grande parcela dos políticos, dos empresários, dos cidadãos comuns, inclusive, se reveste em grande parte num dos maiores pecados que afligem nossa sociedade. É preciso um basta nessa situação. Isso demanda tempo e tem de ser conduzido sem a participação de qualquer partido político. A sociedade precisa se conscientizar de uma vez por todas de sua força, de seu poder de alcance e o caminho que pode levar seus reclamos a quem de direito, sem intermediários.

Rafael Moia Filho