08 de julho de 2026
Internacional

Bush perde Rove, seu principal assessor

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Karl Rove, principal assessor e estrategista político de George W. Bush, anunciou ontem que deixará a Casa Branca no fim deste mês. Ele é mais um na cada vez mais longa lista de assessores do presidente norte-americano que largaram os cargos a menos de um ano e meio do final da presidência.

Rove, no entanto, é um dos mais importantes e um dos últimos que continuavam mesmo após a derrota do partido governista nas eleições legislativas do ano passado e da derrocada da Guerra do Iraque.

O anúncio oficial foi feito na manhã de ontem, nos jardins da sede do governo, em Washington. “Nós somos amigos há muito tempo e vamos continuar a ser amigos”, disse Bush, ao lado de um emocionado Rove, a quem conhece há 34 anos e com quem trabalhou desde que começou na política e, mais diretamente, nas campanhas para o governo do Texas e para os mandatos na presidência.

"Sou agradecido por ter sido testemunha da história'', disse a seguir Rove, com a voz trêmula, para então listar o que considera os principais feitos de Bush.

Ele deixa seu cargo em meio a polêmicas. Apesar de não ter sido acusado oficialmente, teve seu envolvimento sugerido no episódio de vazamento da identidade de uma agente da CIA cujo marido diplomata se manifestou contra a Guerra do Iraque. Pelo episódio, foi condenado à prisão o ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, Scott Libby, que teve sua sentença posteriormente mudada por Bush.

Rove é acusado ainda de ter atuado no episódio que levou à demissão de promotores públicos por razões políticas, de usar a máquina do governo em favor de campanhas de republicanos, de incitar funcionários do governo a fazer o mesmo e de usar propositadamente seu e-mail do Partido Republicano, em vez do oficial, da Casa Branca, para tratar de assuntos do governo, evitando assim o registro oficial que a lei exige. Ele nega as acusações.

Dele discorda o Congresso norte-americano, desde janeiro dominado pela oposição democrata, que pretende continuar tentando levar o assessor presidencial a depor - o que ele tem se recusado.

O êxodo reforça a leitura de que a atual presidência marca tabela para terminar o mandato e que seu ocupante se isola. Em conversa com jornalistas depois do anúncio, Rove recusaria a avaliação de que sua saída marcava o fim político de Bush. “Absolutamente não”, disse ele. “E como poderia ser? Ele é o presidente dos EUA.”