Dom Vicente Ângelo Marchetti Zioni, o primeiro bispo da Diocese de Bauru, faleceu ontem aos 95 anos, em sua casa na cidade de Botucatu, onde vivia há 39 anos. Segundo informações da Cúria Arquidiocesana de Botucatu, há pouco mais de um mês ele teve uma pneumonia e as complicações da doença o deixaram bastante debilitado. Dom Zioni era o bispo mais idoso do Brasil. As informações são da Diocese de Bauru.
Desde as 15h de ontem, ele está sendo velado na Catedral Metropolitana de Botucatu. Hoje, às 16h, será celebrada a missa de exéquias e, em seguida, o corpo de dom Zioni será sepultado na cripta da Catedral.
De acordo com o padre Lázaro Augusto Iglesias, ecônomo da Arquidiocese de Botucatu, dom Zioni era um grande intelectual e até dois meses atrás trabalhava ativamente produzindo textos, artigos e escrevendo um livro sobre Dom Henrique Golan Trindade, primeiro arcebispo de Botucatu.
“Ele não parava, há ainda muito material não publicado e que certamente será um importante legado para nós. Ele foi um exemplo de amor e entrega ao sacerdócio. Sua vida foi totalmente dedicada ao reino de Deus”, afirma o padre Lázaro.
Dom Zioni foi ordenado sacerdote em 1936, exerceu o ministério por 71 anos. Há 52 anos era bispo. Em Bauru, dom Vicente Zioni atuou de 17 de maio de 1964 a 18 de abril de 1968. Ele foi nomeado o primeiro bispo da Diocese de Bauru pelo Papa Paulo VI no dia 25 de março de 1964.
Durante esse tempo, dom Vicente Zioni organizou a Cúria Diocesana e seu arquivo, construiu um Seminário Diocesano, criou novas paróquias e 15 capelas, além, é claro, de atender diversos setores burocráticos e jurídicos. Pastoralmente, deu preferência ao setor de liturgia e catequese, especialmente a infantil.
No ano de 1969, quando a Diocese já possuía 27 paróquias, foi elaborado o Plano Pastoral para Bauru. Este, indicava para as paróquias e capelas o funcionamento de apostolados religiosos, assistenciais, culturais, recreativos e promocional, a organização de um centro catequético, um centro diretor da celebração da Palavra Divina, uma creche, uma escola, um dispensário e um centro social. Todos os católicos, cursilhistas, marianos, vicentinos, focolarinos e legionários de Maria e outros cristãos foram convocados para realizar esta tarefa.
No seu início, foram feitos muitos estudos para a formação da Diocese. Especialmente a partir da década de 70, encontros para estudo dos documentos conciliares foram promovidos e as orientações passadas às paróquias, dando a base para iniciativas de evangelização e reorganização da Igreja, segundo instruções do Concílio Vaticano II.