08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Rodovia Cemitério


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Fazia tempo que não transitava por esta rodovia, mais precisamente desde 2001.O nome rodovia da morte sempre impressiona, mas realmente fiquei assustado com o estado de abandono da rodovia federal BR-111 (Regis Bittencourt), que liga duas das principais capitais do Sudeste brasileiro (São Paulo a Curitiba), seguramente a região mais rica do Brasil!

Pois é! Rodamos cerca de 100 quilômetros rumo a Juquitiba e o que vimos foram cenas de horror: asfalto esmigalhado, crateras enormes (desculpem o pleonasmo), guard-rails retorcidos que se tornaram verdadeiros grilhões a ceifar muitas vidas, animais mortos putrefatos, ausência de acostamento, sinalização consumida pelo tempo quando não inexistente, lixo, mato, pedaços de pneus, etc. Se o estado das pistas de aeroportos que agora começam a aparecer e nos dar uma real noção dos perigos que corremos quando saímos de férias, que dirá desta pista que se consome por caminhões e veículos vorazes, sem lei e sem regras num território de ninguém e que agora se agrava pelo aumento do fluxo na desistência do transporte aéreo! Ninguém é responsável por isso mais uma vez? Duplicação?!?!

Por que não privatizar essa importante artéria rodoviária? Não seria bom para todos? Ou então cada Estado cuidar do seu trecho. Em algumas rodovias, a privatização aumentou, em muito, o número e o valor dos pedágios, mas com um mínimo retorno em qualidade e segurança. Ainda estamos anos luz das autopistas da Europa, mas isso é outro departamento (ou seria o mesmo?). Enquanto nem educação, nem saúde e nem segurança pública são levados a sério por aqui, parece utópico sonharmos com autopistas com a tamanha extensão territorial do País (ferrovia é outra boa reflexão) para rodarmos com nossas LandRoovers importadas, Hondas Civics ou até mesmo o Del Rey do meu pai que não nos deixou na mão nessa longa viagem no Dia dos Pais.

Meu cunhado até falou: “Rodovia da morte? Isso aqui virou um cemitério faz tempo!” De fato, ali jaz tudo: de bicho morto à dignidade, respeito, seriedade, competência...

Para encerrar, um acesso sem acostamento nem retorno onde cruzamos o canteiro central da rodovia nos levou a fazer o sinal da cruz e agradecer a Deus pela boa viagem e pela proteção até o próximo feriado! Tudo isso aconteceu em plena luz de uma manhã ensolarada de sábado. À noite? Peça a proteção de Deus mais uma vez! Não recomendaria.

Nei Ferreira Lima