09 de julho de 2026
Nacional

Multishow mostra pessoas em ‘self-reality’ em ‘Retrato Celular’

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Se a última grande novidade da televisão foram os reality shows, por que não se inspirar nos blogs e no YouTube e fazer algo mais reality e menos show? Esse pensamento, traduzido no conceito “self-reality”, levou a Conspiração Filmes a realizar, sob encomenda do canal Multishow, a série “Retrato Celular”. Durante duas semanas, 24 telefones com alta qualidade na captação de som e imagem foram entregues a jovens de quatro Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). Orientação: filmar o que quisessem de suas vidas.

Até no extremo norte da Noruega um dos aparelhos foi parar, levado pelo maratonista mineiro Camilo Geraldi. “Ao filmarem as próprias vidas, as pessoas escolhem o que querem mostrar e acabam se mostrando. Nós não criamos estereótipos. Mas, às vezes, elas mesmas se estereotipam”, diz o diretor-geral Andrucha Waddington, emocionado ao citar um longo e silencioso plano feito pelo músico carioca Leandro Sapucahy, 37 anos, de seu filho Leonardo, 9 anos: “Nunca vi material tão íntimo.”

Sapucahy foi o personagem-piloto, convidado em março passado. Em seguida, a equipe dos diretores Patricia Guimarães, Monica Almeida e Paulo de Barros foi atrás de outros jovens que tivessem “carisma”, como resumem. É gente como a gaúcha Nicole, 20 anos, que exibe sem constrangimento, no episódio “Beleza e estética”, os seus inúmeros cuidados com a beleza, aparecendo até em trajes íntimos.

Ou o artista multimídia Chevitz, que repassa seus conhecimentos para o filho em “Pais e Filhos”. Ou, ainda, Fernando, um paquerador carioca que, em “Fidelidade”, resume sua atividade no lema “Eu não tenho filtro”. Tímidas no início, as pessoas se soltavam com os dias. “Optamos pelo menor dispositivo de filmagem possível. E o celular está presente no cotidiano de todos. Se entrássemos nas casas com uma equipe de quatro pessoas, ninguém ficaria à vontade”, explica o produtor-executivo Luiz Noronha, um dos idealizadores do projeto.

A Conspiração ressalta ter sido mínima a sua interferência nas gravações, mas ela existiu. Em primeiro lugar, ao verem que um jovem estava insistindo muito num tema ou num lugar, os diretores pediam diversificação. Após receberem o material bruto, eles fizeram entrevistas com todos, para costurar as imagens e enquadrar os personagens nos assuntos dos oito episódios. E depois, é claro, houve a edição.

“Estudei com Jean Rouch na França, trabalhei três anos com Eduardo Coutinho, mas agora é que estou descobrindo o que é cinema direto”, exalta Patricia Guimarães. A música “Olho Mágico” foi composta por Gilberto Gil especialmente para o programa. Gil vinha estimulando Andrucha há bastante tempo para se aprofundar no cinema digital. “Eu disse a ele: “melhor ainda. Você vai começar num estágio de aventura e risco até mais avançado do que eu imaginava”, diz o ministro da Cultura.