09 de julho de 2026
Internacional

Hugo Chávez criará Banco Sul sem a participação do Brasil

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, deixou claro que não esperará mais o Brasil para a criação do Banco Sul.

Ontem, ele anunciou que a instituição será criada em novembro tendo como sócios Argentina, Bolívia e Equador, seus principais aliados na região.

“Já acordamos com o presidente (argentino, Néstor) Kirchner, com o presidente (boliviano, Evo) Morales e o presidente (equatoriano, Rafael) Correa em não esperar mais.

Em novembro, lançaremos o Banco do Sul em Caracas, onde terá sua sede principal, como um banco para os países do sul”, disse Chávez na madrugada de ontem, ao final do discurso em que apresentou a reforma constitucional. “Nós nos convertemos em um país que financia outros países. Isso é válido e poderia ser o primeiro passo de nossa proposta do Banco do Sul”, afirmou Chávez, após mencionar o recente anúncio da compra de US$ 1 bilhão em bônus da dívida argentina.

Os comentários do presidente ocorreram quando ele defendia o fim da autonomia do Banco Central venezuelano, um dos pontos de sua reforma constitucional. Se aprovada - é necessário que seja aprovada pela Assembléia e em referendo -, Chávez passará a administrar diretamente as reservas internacionais do país.

Pela proposta de Chávez, o Banco do Sul será financiado por uma parte das reservas internacionais dos países-membros. No início do mês, ele afirmou que a contribuição venezuelana será metade de suas reservas, hoje de US$ 27 bilhões. As constantes retiradas fizeram com que as reservas caíssem 26% em 2007.

Brasil

Para que o Brasil entre no projeto, porém, terá de recuar de sua posição sobre o tema, segundo a qual o projeto precisa ser elaborado em consenso entre os países e não pode ser um instrumento político - o contrário da proposta chavista.

Em abril, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também descartou o uso de reservas internacionais no projeto, como quer Chávez.

“O Brasil não vai aderir a nada. O Brasil não é um país que adere. O Brasil participa, elabora junto ou não”, disse na época Mantega.