10 de julho de 2026
Nacional

Em um dia de pânico, a Bovespa consegue reduzir queda histórica

Por Epaminondas Neto | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os investidores viveram uma verdadeira montanha-russa no pregão de ontem. A Bolsa brasileira, que despencou durante toda a manhã e o início da tarde, tomou fôlego próximo ao encerramentos dos negócios. Para os profissionais de mercado, as ações ficaram baratas demais e começaram atrair compradores. “Quando a Bolsa caiu 8% nós já começamos a ver compras no pregão. Muitos clientes aqui da corretora também entraram no mercado”, afirma Milton Milioni, diretor da corretora Geração Futuro.

O Ibovespa, indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), finalizou o dia em baixa de 2,58%, aos 48.016 pontos. O volume financeiro foi bastante alto e mostrou o nervosismo dos investidores: R$ 8,4 bilhões. O dólar comercial foi negociado a R$ 2,094 para venda, com avanço de 3,15%. A taxa de risco-país, medida pelo índice Embi+ (JP Morgan), bateu os 227 pontos próximo das 17h, um salto de 11,27%.

Os mercados tiveram uma verdadeira crise de pânico, a partir do momento em que cada vez mais fundos de investimentos começaram a reportar problemas de caixa. A crise do setor imobiliário americano transbordou das fronteiras dos EUA e atingiu empresas na Europa e na Ásia. “Teve um pouco de exagero, puxado pelo lado da psicologia, mas teve um fato bem concreto: vários fundos tiveram problemas, na Europa, na Ásia, na Ásia e até no Brasil”, afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Os grandes investidores globais, que têm aplicações espalhadas por vários países, fizeram o já visto em outras crises: venderam papéis nos mercados emergentes para cobrir prejuízos em outras aplicações. “O que nós vimos foi uma crise de liquidez. O grande investidor, mesmo ganhando dinheiro no Brasil, teve que vender para fazer dinheiro. Foi algo até paradoxal, porque ele teve que sair justamente do lugar onde está ganhando”, afirma Milioni.

A má notícia da vez, que estragou de vez o humor dos investidores, foi protagonizada pela empresa americana Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA. A empresa foi obrigada a tomar US$ 11,5 bilhões para se prevenir contra uma possível falta de crédito na praça. Anteontem, o banco de investimentos Merrill Lynch já havia rebaixado sua recomendação para as ações da empresa.

Entre outras notícias, o Departamento do Comércio dos EUA informou que a construção de casas teve queda de 6,1% em julho, caindo para uma taxa anualizada de 1,38 milhão de unidades - uma redução de 20,9% em relação ao mesmo mês de 2006 e a mais baixa taxa desde janeiro de 1997.

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Dólar dispara e fecha a R$ 2,094

São Paulo - As turbulências globais jogaram a taxa de câmbio para seu maior valor desde o dia 14 de março. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,094 para venda, em forte alta de 3,15%. Pelo terceiro dia, o Banco Central se ausentou e não promoveu seu tradicional leilão de compra de moeda.

Nas casas de câmbio paulistas, o preço do dólar turismo disparou e atingiu R$ 2,260 (valor de venda), uma alta de 6,6% sobre a cotação anterior. A taxa de risco-país bateu os 237 pontos no final desta tarde, em seu maior nível desde 3 de janeiro de 2006.

O mercado de moeda sofreu as conseqüências da crise global das Bolsas de Valores. Em momentos de turbulência como vistos ontem, os investidores saem das aplicações de maior risco, vendendo ações e comprando dólar.

Profissionais das corretoras de câmbio relatam que uma parcela dos exportadores ainda está ficou de fora do mercado, aguardando preços maiores para vender moeda.

O mercado futuro de juros também disparou. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,36%, contra 11,20% na quarta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 11,44% para 12,18%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada subiu de 11,72% para 12,52%.