Esta frase me veio à lembrança ao vivenciar uma situação deprimente que demonstra o descaso do governo paulista em relação aos professores da rede pública de ensino, que dependem das atribuições das aulas, aulas estas sobras das atribuições dadas aos titulares de cargo efetivo, que por um motivo ou por outro estão licenciados, portanto, não podendo cumprir com suas cargas horárias. Então lá estava eu sentado fazendo parte de um universo que não me pertence, pois através de uma procuração iria representar minha filha, que é estudante do terceiro ano de matemática em uma universidade local , fato este que me oportunizou olhar tudo o que acontecia, como sendo um espectador, alguém fora do contexto, mas estando dentro de um auditório, local usado como palco para tal atribuição.
A primeira imagem que me veio à mente, quando uma coordenadora gritou "professores geral Nível I do 1 ao 100", falou com um tom arrogante e prepotente, e eu ali imaginei um soldado dando comida ao povo civil, em uma situação pós-guerra, gritando: “mulheres e crianças primeiro, não precisa empurrar, vai sobrar para todo mundo”, e aí ele sussurra: “bando de esfomeados”. Então tracei um paralelo e pensei: estas coordenadoras e diretoras saem de suas escolas e quando reunidas na ante-sala de atribuições pensam: “vamos dar milho aos pombos”. Professores famintos pelas sobras das atribuições, onde vislumbram a única oportunidade de ingressarem na carreira efetiva, somando míseros pontos para serem favorecidos em um concurso público posteriormente. E o que mais me deixava admirado era ver a passividade do professorado com esta deprimente prova de falta de respeito com os profissionais que fazem o futuro do País.
Carlos Augusto Martins - graduando em pedagogia na Faag, em Agudos - RG 16.159.914-X