Já faz tempo que comprar um carro 0km virou tarefa fácil e atrativa. As concessionárias apostam cada vez mais nos longos prazos de financiamento e em benefícios, como cobrar a primeira parcela somente três meses depois da compra e entregar o bem já com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pago. Ainda em alguns casos, o cliente leva o veículo com o tanque cheio.
Além dessas vantagens, as concessionárias compram o carro antigo do freguês, financiam outro e ainda voltam troco. E muita gente está aproveitando essa oportunidade. O negócio tem adesão de um público variado, desde quem está com a corda no pescoço com as dívidas, até quem pretende investir em projetos profissionais e pessoais.
O empresário Jorge Simão Neto, diretor de uma concessionária Ford, em Bauru, diz que esses contratos são muito freqüentes. Cerca de 60 são aprovados por mês.
“Os financiamentos de veículos são muito vantajosos em relação aos outros tipos de crédito. São baratos porque o carro tem muita liquidez. Isso faz com que esse tipo de negócio tenha muita adesão”, constata Neto.
Ele diz que a negociação é comum entre a maioria dos clientes da loja, com destaque para aqueles com maior poder aquisitivo. “Já tive clientes que fizeram esse levantamento para colocar dinheiro numa construção. Financiaram 100% do veículo e receberam o valor integral para investir em obras, formar capital de giro. Posso dizer que 80% são pessoas com alto poder de compra”, destaca o empresário.
Dívidas
Entretanto, o crédito de veículos também tem sido opção para quem precisa quitar alguma dívida, cobrir despesas de licenciamento e emplacamento do novo carro ou até fazer uma reserva financeira, segundo Neto. Ele calcula que cerca de 25% da clientela da concessionária opte por receber algum percentual do valor da venda como troco. “Há clientes que aproveitam a devolução do dinheiro para quitar o financiamento do carro que estão entregando”.
A tendência dos consumidores em usar o próprio carro como moeda de troca pode ser observada na maioria das revendedoras de Bauru. Márcio Gallucci, gerente de vendas da loja da Fiat também confirma que esse tipo de contrato é muito comum, principalmente entre quem quer comprar um veículo mais caro ou liquidar dívidas junto aos credores.
“Muitas vezes o cliente vem com um carro que vale R$ 20 mil, quer outro de R$ 30 mil, mas deve R$ 10 mil para quitar o antigo. Financiamos toda a diferença para ele levar o veículo mais novo. Isso acontece muito.”
O gerente também ressalta que outra parcela da freguesia prefere o troco em dinheiro para usar na amortização de pendências financeiras. Para ele, um dos fatores que motivam esse tipo de negociação é a taxa de juros cobrada. “É mais barata que a bancária, além de ser fixa. Dependendo do perfil do carro, como ano de fabricação e condições de uso, varia até por volta de 1,4% ao mês.”
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Prós e contras
O economista Mauro Gallo acredita que a negociação com as concessionárias é viável, desde que o dono do veículo esteja pensando em trocar uma dívida com juros mais baixos do que os cobrados, por exemplo, pelo cheque especial e os financiamentos oferecidos à pessoa física.
“O financiamento de automóvel oferece taxas mais econômicas. Se o tomador (do dinheiro) administrar bem, consegue se livrar da dívida pagando menos, já que os juros são menores”, ressalta.
Por outro lado, Gallo destaca que a negociação tem de ser feita com muita consciência e planejamento para evitar dor de cabeça mais tarde.
“Muitas pessoas vêem na troca de uma dívida a saída para seus apertos atuais, mas não pensam no futuro, nos imprevistos que podem acontecer”. O economista recomenda que a troca do carro por capital, cuja negociação seja feita com a concessionária, tenha o objetivo de diminuir a taxa de juros que está sendo paga em outra dívida.
Gallo também orienta o consumidor a optar por um veículo de valor menor àquele que negociou com a concessionária e que financie apenas o percentual realmente necessário.