O Manoel de Abreu está a dois passos de se tornar um Hospital do Câncer, aos moldes do Amaral Carvalho, de Jaú, que reúne todas as condições técnicas e de recursos humanos para os portadores da doença serem tratados sem precisarem sair da instituição. Ainda não existe nada de concreto nesse sentido, mas se depender das promessas de políticos e líderes do terceiro setor, não faltarão verbas para a construção da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e do Centro Cirúrgico, alas que o hospital ainda não possui.
A inauguração do Centro de Diagnóstico da instituição, ontem, foi recheada de discursos, cobranças e promessas. O deputado federal José Paulo Tóffano (PV), afirmou com veemência que no final do ano irá redigir uma emenda ao Orçamento buscando verba para a instituição. Mais discreto, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), também promete empenho. Já Domingos Antônio Malandrino, próximo diretor regional do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), entidade que colaborou para a construção do Centro de diagnóstico, afirma que dará continuidade à política de investimento do órgão na ampliação e reformou do Manoel de Abreu.
“Me informei que o hospital (Manoel de Abreu) pode receber verba direta do governo federal. Desde já me coloco à disposição e assumo o compromisso de discutir as necessidades da instituição e, no final do ano, criar medidas para trazer verbas, assim como consegui R$ 1 milhão aplicado em Jaú”, afirmou Tóffano em discurso.
“Dar continuidade às obras de cunho social do Ciesp é algo que já foi conversado entre a diretoria e o conselho da entidade. Agora vamos dar uma espécie de tempo para que seja feita a transição das gestões para, a partir de março, retomarmos a campanha para as obras da instituição. Isso até que ela seja totalmente pronta”, diz Malandrino, que toma posse no dia 27 de setembro como presidente regional do Ciesp.
“Primeiro precisamos equipar a UTI do Hospital de Base (HB), que está pronta há três meses e vai custar quase R$ 1 milhão. Depois vamos estudar essa questão (das novas alas do Manoel de Abreu). Temos que sentar e fazer um estudo técnico para avaliar a viabilidade”, afirmou o cauteloso Tobias, que é médico.
UTI
A presidente da Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), Lyenne Berriel Cardoso, uma das principais atrizes de bastidores na busca de investimento para o hospital, já tem o projeto da UTI oncológica pronto. “Ainda não temos nada de concreto, mas já vamos começar a lutar pleiteando ajuda das lideranças da cidade”, adianta. “Passo a passo, estamos conquistando o objetivo de dar assistência total aos pacientes de câncer da cidade, que em 99% dos casos possuem condição econômica precária”, completa Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém o Hospital Manoel de Abreu.
“É um orgulho ter encabeçado esse trabalho (da Ciesp em parceria com o Manoel de Abreu) e poder comprovar um bom resultado, conseguido mesmo durante um período de dificuldade pelo qual passa o setor industrial no País”, afirma Ricardo Coube, atual diretor regional do Ciesp. “Esse é um exemplo da preocupação e dedicação que o Ciesp tem não somente perante ao mercado, mas também perante à sociedade. Tenho certeza que estaremos juntos na terceira fase de reformas”, reitera Claúdio Vaz, presidente do Ciesp.
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Ala nova
A ala de diagnóstico do Hospital Manoel de Abreu inaugurada ontem tem cerca de 250 metros quadrados e conta com aparelhos para exames de colonoscopia, endoscopia, broncoscopia, laringoscopia e ultrassonografia. Todos os equipamentos foram adquiridos por intermédio da ação de um deputado federal e doações de famílias bauruenses. Já a obra tem custo dividido entre a Associação Hospitalar de Bauru e Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
Com a finalização da ala, a expectativa da direção do hospital é quintuplicar o número de atendimentos. Dados divulgados em dezembro do ano passado revelam que, em média, 20 pessoas passam diariamente por diagnóstico no hospital para fazerem exames de ultrassonografia ou raio-X. A capacidade agora se estende para 100 pacientes ao dia.
Essa é a quarta reforma feita no hospital no período de quatro anos. A última ficou restrita ao setor ambulatorial.