08 de julho de 2026
Geral

De volta aos bancos escolares

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Aprender, aprender e aprender. Essa é a dica fundamental para quem procura se manter empregado, segundo o personal e professional coach Jair José Marangoni. Uma parte dos trabalhadores já se deu conta dessa necessidade e está se mexendo.

A secretária educacional Sueli Teixeira Manduca, 42 anos, faz parte desse grupo. Depois de 16 anos longe de uma faculdade, ela decidiu voltar. “Percebi que o mercado de trabalho estava me exigindo isso”, comenta. Embora tenha trabalhado todo esse tempo dentro de uma instituição de ensino, só agora Sueli despertou para essa realidade.

Ela chegou a iniciar um curso de graduação há 16 anos, mas teve de interromper os estudos por causa do trabalho. Ela trabalhava durante o dia e estudava à noite. Quando a empresa a transferiu para o turno da noite, não teve como continuar a faculdade porque o curso que estava fazendo não era oferecido de manhã. Além disso, praticamente todos os cursos superiores de Bauru que são oferecidos de manhã são integrais, ou seja, têm aulas à tarde também. Isso, segundo Sueli, inviabilizou sua permanência na faculdade.

Mas chegou um momento que não tinha mais como adiar a volta aos bancos escolares. “Hoje, o mercado de trabalho está muito exigente. Não dá para ficar parado”, afirma. Mesmo tendo de estudar em outra cidade, por falta de opções em Bauru, Sueli não desanimou e agora está prestes a se formar em pedagogia. Foram quatro anos de muito sacrifício, mas, segundo ela, estão valendo a pena. “A faculdade nos dá uma visão mais apurada da realidade. Ela sempre nos traz crescimento profissional”, revela.

Por esse motivo, Sueli já pensa em fazer pós-graduação. “Não agora, mas não quero mais parar”, diz ela, já fazendo planos para o futuro. “Trabalhar e estudar não é fácil, ainda mais quando se tem filho, marido e casa para cuidar”, conta ela.

Aliás, o marido João Manduca, 43 anos, é outro que pensa em voltar a estudar. Com formação técnica, ele percebeu que as empresas estão atrás apenas de pessoas que tenham graduação. Por causa das seguidas trocas de turno, ele também teve dificuldades para continuar estudando e abandonou a escola. Agora, está sentindo falta de uma formação universitária.

O mesmo ocorre com Paulo Rezende de Moura, 32 anos, que largou a faculdade de direito por razões financeiras. Hoje, ele se arrepende de não ter buscado outra alternativa para continuar estudando. Ele conta que já percebeu que toda nova contratação feita pela empresa em que trabalha envolve funcionários com graduação no currículo. “Não estão contratando ninguém que tenha apenas o segundo grau completo (atual ensino médio), como acontecia antigamente”, comenta.

“Percebi que se eu não me mexer e não voltar a estudar, corro o risco de ser mandado embora e ainda vou ter dificuldade de conseguir novo emprego porque tem um monte de gente desempregado com nível superior completo”, frisa.