09 de julho de 2026
Nacional

Brinquedos piratas têm até lixo hospitalar

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Uma das principais preocupações do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), órgão federal que regula a qualidade dos produtos, é em relação aos brinquedos piratas, em geral contrabandeados e vendidos no comércio informal.

Análises realizadas pelo instituto já constataram a presença de lixo hospitalar e de metais pesados. Com participação de 15% do setor e consumidos por um em cada quatro brasileiros, os brinquedos piratas são um risco à saúde das crianças.

Segundo Alfredo Lobo, diretor da qualidade do Inmetro, houve casos de brinquedos com 40 vezes mais metais pesados que o tolerado.

Contaminação

O excesso desses metais pesados, como chumbo, que dá a cor vermelha dos brinquedos, contamina o sistema nervoso, a medula óssea e os rins. Também interfere nos processos genético e cromossômico. O risco, segundo médicos, é a ingestão de peças, que as crianças comumente levam à boca.

Dados da Abrinq (associação das indústrias de brinquedos) revelam que, há dez anos, a participação dos piratas chegava a 40% do setor. Hoje, está em cerca de 15%.

Cuidados na compra

Nem é Dia das Crianças, mas o recall mundial da líder do mercado de fabricantes de brinquedos Mattel - que só no Brasil teve de recolher 850 mil peças com potencial de risco - levantou questões sobre segurança e cuidados que os pais devem tomar na hora da compra.

A reportagem ouviu especialistas, pais, ONGs, órgãos reguladores e de fiscalização e a Sociedade Brasileira de Pediatria e, de todos, em uníssono, obteve as seguintes recomendações:

1) Só comprar brinquedo com o selo do Inmetro, tanto produtos nacionais quanto artigos importados;

2) Não comprar produtos piratas no comércio informal, como em feiras e camelôs;

3) Selecionar o produto adequado à faixa etária da criança;

4) Ler (e seguir) atentamente as instruções de uso.

Autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Inmetro é o órgão normativo que regula medições nos produtos e é responsável pela liberação. Nos Estados, cabe ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), órgão delegado do Inmetro, fazer a fiscalização de rua.

Alfredo Lobo explica que os brinquedos da Mattel “chegaram ao mercado por um descuido no processo produtivo”. Segundo diz, o Brasil é mais exigente que a União Européia nos requisitos de segurança para liberação. “Colocar requisitos a mais no produto onera a produção e encarece o brinquedo para o consumidor. A lógica do estudo é essa aí”, diz Lobo.

Especialista em bem-estar das crianças, a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Luciana O’Reilly, vê um lado positivo no caso Mattel. “É uma oportunidade para questionar as normas vigentes e as normas de certificação que precisam ser revistas”, avalia.

Em São Paulo, o Ipem diz ter feito consultas ao Inmetro sob a necessidade de blitze para apreensão de produtos. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a supervisão dos pais durante as brincadeiras e o correto armazenamento dos brinquedos para não misturar peças de irmãos de idades diferentes.