09 de julho de 2026
Regional

Para músico, cultura caipira é nostálgica

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Se para alguns artistas pegar a viola, tocar e cantar são o suficiente para expressar o sentimento pela cultura caipira, para outros a arte se inicia na criação dos instrumentos musicais. O músico, compositor e artesão Levi Ramiro, 41 anos, transformou sua paixão pelo mundo caipira em criatividade.

Em 1995 ele adotou a viola como instrumento musical e dois anos depois passou a fabricá-la artesanalmente. “Eu trabalhava como metalúrgico na área de ajustador, mas tinha aptidão e vontade de fabricar instrumento, tanto que pegava instrumentos velhos e reformava”, lembra o músico.

Ramiro, no entanto, frisa que sempre se preocupou mais em tocar do que fabricar. “Fabricar é minha segunda opção”, garante o músico, que já gravou três CDs com modas de viola. Ele lembra que, quase sempre, os seus clientes são músicos que preferem uma viola personalizada do que a produzida em série.

“O (instrumento) artesanal é mais caro do que o fabricado em série porque ele é personalizado. Dificilmente eu faço para iniciantes (da música)”, comenta o luthier (pessoa que fabrica instrumento musical de forma artesanal). Segundo ele, um instrumento fabricado artesanalmente pode custar entre R$ 1.800,00 a R$ 10 mil enquanto que um fabricado em série varia de R$ 300,00 e R$ 700,00.

O músico-artesão ressalta que o preço do instrumento depende de vários fatores, entre eles o tipo de madeira a ser utilizada. “Eu reciclo madeiras, geralmente madeiras antigas de portas e janelas, como o cedro, por exemplo”, revela. O trabalho de criação de um instrumento, segundo Ramiro, leva cerca de 20 dias corridos para ficar pronto.

O artesão fabrica violas, violões, rabecas, violetas e outros instrumentos inventados por ele utilizando técnicas e materiais inovadores. Seu ateliê está instalado em sua residência no Distrito de Estiva, na região de Pirajuí.

Com clientes na região de Jaú, Ramiro lembra que já participou muito de concursos. “Já participei de campeonatos, hoje sou mais simpático aos festivais de mostra de músicas, mas acho importante que tenha as competições porque promovem a música”, diz.

O músico ressalta a importância da cultura caipira que hoje, na opinião dele, está situada mais no campo da nostalgia do que na realidade. “Eu acredito que a viola já ocupou espaço em várias tendências musicais no Brasil, não está restrita só na área caipira. Apesar disso, ela nunca vai deixar de ter esta raiz no mundo da cultura caipira”, conclui.

____________________

Prêmios

Os dez primeiros colocados no 1.º Festival Sertanejo de Boracéia irão receber prêmios em dinheiro. Para o primeiro colocado, o prêmio é de R$ 1.500,00 e para o segundo R$ 1.000,00. Já o terceiro colocado vai receber R$ 800,00, o quarto R$ 500,00 e o quinto R$ 300,00. Do sexto ao décimo colocado o prêmio será de R$ 100,00 para cada um. Serão distribuídos ao todo R$ 4.200,00 em premiações para os dez primeiros colocados, que serão julgados por uma mesa de jurados composta por profissionais e músicos da região.

Os interessados em participar do concurso devem fazer a inscrição no local, por volta das 10h, um pouco antes do início do festival, programado para às 13h. Não será cobrado taxa de inscrição. O evento é promovido em conjunto pela Prefeitura de Boracéia e Câmara Municipal.