Igaraçu do Tietê – A direção do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru) está preocupada com o modo operandis de um grupo de vendedores ambulantes de filtro de água que estaria passando nas residências insinuando que a qualidade do líquido distribuído no município seria ruim com o intuito de vender o produto.
“É um direito deles vender o que quiserem. O problema é a forma como abordam os moradores”, conta José Maria Capelasso, diretor do SAAE. Segundo ele, os vendedores entram na residência da pessoa e colhe amostra de água e faz um teste colocando uma substância furtivamente no líquido para provar ao morador que a qualidade da água é ruim.
“Por alguns segundos a água fica turva e ele mostra para o morador para tentar convencê-lo a comprar o filtro”, relata o diretor. A substância utilizada pelo vendedor, segundo Capelasso, é conhecida como orto-toluidina, vendida em casas de piscinas e agropecuária. “Dá reação na água por causa do cloro e a deixa amarela”, explica.
O maior problema, no entanto, é que os vendedores estariam amedrontando os moradores dizendo que a suposta água contaminada pode provocar doenças. “Ele disse que estava fazendo a análise da água e pediu licença para fazer o teste e explicou que a água da torneira estava mais contaminada que a água do filtro. Disse que a água que nós temos estava provocando câncer e diabetes”, relata a dona de casa Maria Antônia Francisca, 50 anos.
Segundo ela, e a vizinha Olívia Fernandes, 75 anos, o vendedor teria passado em suas residências há cerca de 15 dias. “Ele fazia perguntas sobre doenças e os remédios que tomáva-mos”, conta Fernandes.
“O grande problema de tudo isso é a inverdade que eles passam para os moradores”, lamenta Capelasso. De acordo com o diretor, o SAAE distribui água há 30 anos no município e respeita todos os parâmetros de qualidade exigidos pela saúde. “Desde que existe o SAAE, há 30 anos, nós temos respeitado as normas. São feitas inúmeras análises e nossa água é 100% potável e de qualidade”, conclui.
Capelasso explica que ele próprio chegou a ser abordado em sua residência por um vendedor. “Nós não sabemos qual é a proporção da coisa. Em cidades grandes eles usam até o nome de autarquias indevidamente”, comenta. O diretor explica que o SAAE possui uma equipe de técnicos que visita alguns pontos da cidade para colher amostras de água mas que o líquido é enviado para análise em um laboratório em Araraquara.