09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Filosofia no ensino médio


| Tempo de leitura: 3 min

A recondução da matéria filosofia na grade do ensino médio no Estado de São Paulo, ainda em estágio de reimplantação, deve ter seu processo acelerado, considerando a importância que essa disciplina representa na formação gradual da personalidade do aluno e futuro eleitor. A retirada dessa matéria do currículo do ensino médio em décadas passadas constituiu-se num retrocesso significativo em termos de degradação da qualidade de ensino.

Por experiência própria, posso avaliar esse estrago. Nos meus tempos de colegial, na segunda metade da década de 60, cursei o ensino médio no famoso colegial do Instituto de Educação Ernesto Monte, ali na Praça das Cerejeiras, em Bauru. Foi uma fase inesquecível de meus tempos de estudante, apesar da correria para locomover-se de Piratininga a Bauru, de trem ou de ônibus.

Para quem não sabe, o Instituto de Educação Ernesto Monte ofereceu um dos melhores cursos colegiais do Estado de São Paulo. O seu corpo docente era formado de excelentes professores. E foi ali que comecei a receber os primeiros conhecimentos, os fundamentos básicos para se entender o que é a filosofia. Com meu colega de classe Emanuel Canhete, aluno que demonstrou grande disposição para assuntos dessa natureza, fizemos muitos estudos e confrontações de idéias nas aulas e fora delas a respeito da filosofia.

A filosofia teve os seus primeiros passos nas regiões onde hoje está a Grécia e parte da Ásia. Ela começou como sendo uma ciência que abrangia todas as áreas do conhecimento humano. Então, para os entendidos da época, ela estudava a vida dos animais em geral, das plantas, enfim, tudo.

Com o passar do tempo e a natural evolução das coisas, várias ciências foram surgindo, como a biologia, a botânica, a medicina, etc, porque foram adquirindo cada qual seu campo próprio de estudo, seu objeto e se desgarrando da filosofia, mãe de todas. Mas, mesmo assim, os cordões umbilicais não foram cortados, porque a filosofia, por causa de sua própria natureza, por ter seu objeto, seu foco de estudo nas coisas da natureza, na abstração, continua sendo a base, o alicerce principal para todas as outras ciências.

Todas as outras disciplinas são beneficiadas pela reintrodução da filosofia. O aluno vai deixando de ser um decorador de livros e cadernos, aceitando sempre tudo o que ouve dos professores, sem fazer perguntas, sem questionar os assuntos abordados em classe. O importante é saber que a filosofia faz parte da vida de todos os humanos no cotidiano e quase todos ignoram isso. Temos uma arma benéfica poderosa todos os dias dentro de nós, mas não sabemos utilizá-la, porque ignoramos sua existência. Só falta despertá-la.

Ela desperta nas pessoas o sentido do espírito crítico, da avaliação, da ponderação, do bom senso na tomada de decisões que irão ter reflexos decisivos no futuro da vida das pessoas, dos cidadãos.

O eleitor, considerando a fase crítica e danosa por que passa a vida política brasileira, envolvida em tantos escândalos planejados por políticos desonestos, sem escrúpulos, para se apoderar do dinheiro público, precisa despertar conscientemente esse discernimento, essa vontade de escolher o melhor possível, os dirigentes que irão administrar o nosso País. Está nas mãos daqueles que administram o ensino no Brasil, seja nos gabinetes ou nas salas de aulas, nos laboratórios, essa missão fundamental, sem a qual nosso País não mudará para melhores rumos.

Ivan Barbieri - Piratininga-SP