Lendo no JC de domingo a carta enviada pelo leitor Bruno Tausz, treinador de cães ou etólogo, pois assim ele aparentemente prefere ser chamado, pude notar alguns detalhes interessantes.
Não o conheço, mas acredito que seja um jovem e por isso devemos dar a ele a tolerância que só um jovem pode ter. Ou seja, a impetuosidade e a paixão tão comuns nesta fase da vida. Mas, apesar disto, existem em sua carta algumas coisas, que acredito, merecem reparo.
A primeira delas é sobre a agressividade comum não só a raça pit bull, mas a proprietários de muitas outras raças que tratam seus cães sem nenhum cuidado, fazendo dos mesmos uma arma, deixando-os amarrados por dias e condicionando-os ao ataque, sob o pretexto de, com isso, resguardarem seus patrimônios.
Acredito que a senhora Íris Mello, quando se referiu à justiça de Deus na condenação judicial ocorrida, esteja se referindo aos proprietários e não aos cães. Até porque cães não são processados nem pagam indenização. Mas devemos entender sua indignação e revolta tão natural e humana.
Quanto ao jovem Bruno, seu entendimento e amor para a raça canina são bem grandes, mas falta ainda melhorar sua nota quanto ao respeito humano e às opiniões das pessoas, como as da leitora Íris, e cultivar o amor à vida humana, acima de tudo.
Já criei diversos cães de várias raças e compartilho com o jovem Bruno do amor por esses animais. No entanto, enquanto cães, e não se pode negar as estatísticas, continuarem matando crianças devido aos maus proprietários vou defender pena de crime hediondo a esses proprietários e também preventivamente controlar a criação de cachorros de raças como pit bull.
Pois tenho mais amor a uma criança ou a um velho que já morreu vítima de um cão malcriado, do que a centenas de milhares de pit bulls que podem ser prejudicados. Também nunca tivemos notícias de poodles, yorkshires ou beagles matando seres humanos. Por isso, não saíram na mídia.
Acho importante que existam profissionais como o etólogo Bruno, pois treinando cães de forma adequada poderemos evitar que tragédias voltem a acontecer. Enquanto isso não for exigência legal, não acho que bestas feras (me refiro aos proprietários inescrupulosos e não aos animais) possam ficar soltos pelas ruas e que pit bulls possam ser deixados como armas em suas mãos.
Márcio M. Carvalho