A descentralização da cultura em Bauru é uma das ações mais cobradas pela população, parlamentares e classe artística. Com a inauguração das novas instalações de duas bibliotecas ramais, programada para amanhã (Vila Falcão) e sexta-feira (Mary Dota), o secretário José Augusto Ribeiro Vinagre espera criar minicentros de cultura e oferecer um maior conforto aos usuários atendidos.
As reformas, que começaram há cerca de três meses, estão longe do ideal, como reconhece a diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Elizete Maria Barro. No caso da Vila Falcão, por exemplo, o espaço para a leitura é pequeno e abafado. “Ficou um pouco estreito, né? Ainda não é o ideal”, afirma.
Mas, sem dúvida, é melhor do que o claustrofóbico ambiente de seis por oito metros, com paredes descascando e armários velhos de antigamente. A nova biblioteca continua no mesmo prédio, da extinta administração regional da Vila Falcão, mas obteve maior visibilidade e espaço ao ocupar o antigo refeitório. “É um sonho antigo, de uns três anos, torná-la mais visível”, avisa Elizete.
Desta forma, a ramal ganhou cerca de um metro de comprimento para a acomodação das mesas para leitura e das novas estantes, que vão abrigar aproximadamente 3 mil títulos. A ramal ainda incorporou o espaço da antiga cozinha, que servirá para o desenvolvimento de oficinas.
Tudo pintado de azul, inclusive batentes das janelas, portas e assentos. “A cor está dentro do padrão dos utilizados por bibliotecas. Não gosto de branco gelo. Deixa o ambiente triste”, justifica a diretora.
De acordo com a única funcionária do local, Lígia Janine Higa, a Biblioteca da Vila Falcão é visitada diariamente por 15 pessoas. Uma mostra pequena em relação à população aproximada de 20 mil pessoas (12 bairros) atendidas pela unidade. “É justamente pela queda do número de freqüentadores que pretendemos organizar oficinas e outros eventos, para atrair mais pessoas às bibliotecas”, diz Elizete.
Serviço integrado
Uma sala multiuso, um pátio para shows, teatros de rua e circo. Apesar da crítica de alguns, a diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Elizete Maria Barro, acredita que a transferência da ramal do Mary Dota para o prédio da extinta administração regional é uma forma de oferecer um serviço integrado à população. “A pessoa pode ir ao local para outro fim e aproveitar para conhecer a biblioteca”, defende.
A maior biblioteca ramal, a Mary Dota, foi transferida para uma espaço com o dobro do espaço, garante Barro. As novas instalações pretendem levar mais conforto e atrações culturais aos 5,9 mil usuários de uma população de 144 mil pessoas, que vive em seis bairros atendidos pela unidade.
São duas funcionárias e uma estagiária para controlar e orientar o empréstimo de cerca de 4 mil obras. O acervo deve ser renovado com freqüência graças à parceria com o governo do Estado. “A cada semestre, a Secretaria de Estado da Cultura nos envia um kit com 100 livros. São livros títulos, a maioria deles sobre arte e literatura”, afirma a diretora.
• Serviço
Inauguração da biblioteca da Vila Falcão amanhã, às 19h. Rua Domingos Bertoni, 7-50. Mais informações: (14) 3218-6175. Inauguração da ramal do Mary Dota na sexta-feira, às 19h. Rua Izzat Muhammed Saaed, quadra 2. Mais informações: (14) 3235-1312.
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Novos passos
Apesar de afirmar que a maior função das unidades ramais é “descentralizar e democratizar o acesso aos livros e à leitura”, a diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Elizete Maria Barro, sabe que o caminho para isso é longo.
O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, pensa o mesmo. “Até mesmo pela questão geográfica, do crescimento da cidade, sabemos que as ramais que existem hoje não atendem a grande demanda de Bauru”, afirma o titular.
Uma das alternativas para o problema seria informatizar o sistema, para que os acervos possam ser compartilhados, além de oferecer programas de inclusão digital aos usuários. A informatização de todas as ramais deve ser concluída até o final de 2008.
Outro caminho seria a reestruturação das outras bibliotecas. A idéia é que outras unidades também sejam reestruturadas, como a do Geisel, a do Jardim Progresso e a da Vila Tecnológica. O custo para isso é baixo. No caso da Vila Falcão e do Mary Dota, por exemplo, os gastos não ultrapassaram R$ 3 mil, calcula Elizete.
A diretora ainda não descarta a possibilidade de reativar a biblioteca do Jardim Redentor, o que também foi confirmado pelo secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre. “A reativação deve começar em setembro”, coloca o titular.
Bibliônibus
Parado há quase três anos, o Bibliônibus, que rodava 18 bairros de Bauru, deve enfim retomar suas atividades a partir do dia 30 de agosto. Com o apoio das empresas Lumelight e Baurutrans e de órgãos municipais, o ônibus foi totalmente reformado.
“Foi feito um ajuste mecânico, troca de pneus, além de toda a parte interna. O mobiliário foi trocado pensando em corresponder às exigência ergonômicas”, coloca o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, que não soube precisar o valor das reformas.
Inicialmente, o Bibliônibus deve continuar percorrendo os mesmos bairros da cidade, mas um novo itinerário será elaborado. “Vamos fazer um mapeamento dos lugares que precisam do atendimento. Caso seja necessário, vamos repensar o itinerário”, afirma Elizete Maria Barro.