São Paulo - Menos de oito horas após um grupo de estudantes e integrantes de movimentos sociais terem ocupado a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no largo São Francisco (centro de São Paulo), a polícia do governo José Serra (PSDB) ocupou o local e levou 220 pessoas para serem fichadas na delegacia, na madrugada de ontem.
A reintegração ocorreu a pedido do diretor da faculdade, João Grandino, que disse, em carta, que “movimentos alheios a essa instituição (...) tentaram impedir a saída de alunos e professores do prédio”. Os manifestantes afirmam que houve truculência da polícia. A PM rebate, afirmando que apenas cumpriu o pedido do diretor, em uma ação considerada “calma”. Não há registro de feridos nem de danos ao prédio, que é tombado.
A ação da polícia na Faculdade de Direito ocorre dois meses após o término da invasão da reitoria da USP, que durou 50 dias. Na ocasião, tanto o governo Serra quanto a reitora, Suely Vilela, foram criticados por setores da própria universidade por não terem feito a reintegração de posse. A saída foi decidida pelos próprios invasores.
A ocupação na faculdade faz parte da Semana de Jornada de Lutas, movimento nacional promovido por 40 entidades, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Sem-Terra (MST) e o Diretório Central dos Estudantes da USP.
Cerca de 250 pessoas estavam no local no momento da ação da polícia, na madrugada desta quarta, segundo a PM. As 220 que não saíram do prédio assim que a polícia chegou, por volta das 2h30, foram levadas ao 1.º DP, para serem identificadas. Elas foram liberadas assim que finalizavam o procedimento.
A reivindicação do movimento possui 18 pontos, entre eles a erradicação do analfabetismo e o aumento de vagas públicas nas universidades. Os manifestantes dizem que não há ataque específico a nenhum governo. Na operação para desocupar o prédio, a polícia utilizou um efetivo de 120 integrantes na ação (40 homens da tropa de choque, 60 da Força Tática e 20 policiais femininas).