08 de julho de 2026
Cultura

Uma nova contista

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Ela era uma exemplar dona de casa, mãe e esposa até tudo ruir com uma grande tragédia. Aproveitou muito bem as cinzas para renascer. Continuou na trajetória de ser: primeiro universitária, depois assessora jurídica e esposa.

Hoje - sem poder evitar o gerundismo - Josefina de Campos Fraga está sendo uma excelente escritora. Com 62 anos, a escritora lança nesta noite, às 20h, seu quinto livro, “Recontando” (Editora Edusc), no Centro Cultural. O evento tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Academia Bauruense de Letras (ABL).

A coletânea reúne 11 contos e crônicas, subtraídos da vida real, das conversas com amigos e das lembranças da infância no pé da lareira na chácara em Tibiriçá. “Alguns textos são verdadeiros, como a crônica ‘Relembrando Tibiriçá’, que fala sobre a fundação do lugar”, explica com a voz firme, sustentada por uma postura ereta, enquanto gesticula levemente.

Os olhos amendoados se sobressaem no rosto de leves vincos do tempo. E ela diz com todo o corpo que “Recontando” é um “pequeno grande livro”. Uma obra de contos preciosos, a amplitude enquanto escritora. “Comecei poeta, depois fui romancista e agora estou sendo contista”, conta Fraga, rendida ao sorriso, que mostra os dentes brancos cerrados.

Vaidosa, com os cabelos armados combinando com o volume da blusa branca presa aos punhos por detalhes pretos, Fraga reconhece suas potencialidades. O segundo conto que escreveu na vida e integra a obra, “Gato”, foi premiado em primeiro lugar no XII Concurso de Contos Paulo Leminski em 2001. “Havia 930 inscritos de vários países”, lembra, orgulhosa.

A obra que será lançada nesta noite é muito bem definida pelas palavras da professora Léa Silva Braga de Castro Sá, que assina o prefácio do livro. “Com sua criatividade, com seu lirismo, com a pena correndo fácil pelo papel, Josefina transmite ao leitor o seu conhecimento de mundo, o seu jeito diferente de ver a vida, de fazer – do sofrimento – degraus de transformação, de aprendizado”, escreve.

‘Era uma vez’

“Recontando” traz “Relembrando...”, “O Retorno” e outros “r” do passado. Fora da obra, uma poesia um tanto biográfica também faz referências a uma nova volta, a premiada “Recomeço”, escrita em 1994. Dentro do livro lançado nesta noite, o conto “Era uma vez”, de 91, marca bem a fase de redescoberta vivida pela escritora Josefina de Campos Fraga.

“Eu tinha uma história até minha filha de 17 anos morrer enquanto saltava de pára-quedas e, logo em seguida, meu marido morrer também”, lembra a escritora. “Era uma vez” narra parte dessa superação, que inclui a conclusão de um curso de direito, o encontro com um novo amor, um emprego como assessora jurídica, duas pós-graduações, produção de livros, o posto de secretária municipal de Cultura e a presidência da Academia Bauruense de Letras (ABL), onde hoje ocupa a cadeira de número 19.

Tudo, em menos de 20 anos. “Guerreira que domou sofrimentos, e foram tantos, sem nunca arriar, escrevendo capítulos de generosidade plena e profundamente humanos”, escreve na orelha do livro o amigo, “confrade” e presidente da ABL, Munir Zalaf.

Atualmente, Fraga não descarta a possibilidade de escrever ensaios, trovas e mais monografias. O entusiasmo vem de berço, quando acompanhava o pai, Antônio de Campos Fraga, nos encontros políticos como presidente da extinta UDN (União Democrática Nacional). Nessa época, teve a chance de conhecer pessoalmente Carlos Lacerda, “político polêmico e grande literato”, que depois se tornou uma grande influência para seus contos.

• Serviço

Lançamento do livro “Recontando”, da escritora Josefina de Campos Fraga, hoje, às 20h, no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva (avenida Nações Unidas, 8-9). Mais informações: (14) 3235-1072.