São Paulo - Policiais da delegacia de Repressão a Estelionato do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão ontem para desarticular uma quadrilha com membros que se fazem passar por desembargadores, promotores e juízes para aplicar golpes.
Os golpistas procuram pessoas com processos relacionados ao recebimento de bens pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em casos de morte.
Para enganar as vítimas, os estelionatários se identificavam como autoridades judiciais e cobravam um adiantamento do valor resgatado com a justificativa de que o dinheiro pagaria as custas do processo.
De acordo com o Deic, os policiais cumprem mandados de busca e apreensão ontem em Guarulhos (Grande São Paulo, Praia Grande (litoral do Estado) e na Capital. Quatro suspeitos de integrar o grupo foram presos em Ribeirão Preto (314 quilômetros ao norte de São Paulo) no último dia 16. Com eles foram encontrados documentos falsificados relativos ao Fórum Criminal Central de São Paulo, além de dez motocicletas e um carro. Todos foram autuados por formação de quadrilha e falsificação de documentos.
Mais prisões
A Polícia Federal (PF) indiciou ontem 12 pessoas - das quais nove foram presas - por supostos crimes de estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha em Campinas, Sumaré, Americana e São José do Rio Preto. Três veículos e três computadores foram apreendidos. As máquinas passarão por perícia. A PF suspeita que a quadrilha tenha desviado R$ 5 milhões em um ano de atividade.
Segundo informou o delegado da PF em Campinas Jessé Coelho de Almeida, os suspeitos se faziam passar por aposentados ou procuradores de beneficiários da previdência para retirar dinheiro da Caixa Econômica Federal. De acordo com Almeida, quase todos os suspeitos se enquadram em pelo menos dois crimes. “Não são pessoas conhecidas, porque normalmente quem tem envolvimento com estelionato não circula muito. Agora vamos tentar encontrar outros vínculos. O importante é que a organização criminosa foi desmontada”, afirmou.
Das nove pessoas detidas uma está em Campinas, duas em Santa Bárbara d’Oeste e seis em São José do Rio Preto. O delegado da PF em Campinas informou que os valores sacados pelos suspeitos eram referentes à revisão de proventos de aposentadoria devidos pelo INSS.
Para obter a revisão, o interessado deveria propor ação judicial específica, diretamente ou por procurador, via Internet. Com a sentença a favor da revisão, um montante com o valor das diferenças devidas era pago ao contribuinte. A organização retirava o dinheiro ou por meio de identidades falsas ou com falsas procurações. Ainda há suspeitos procurados em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, e em Mato Grosso do Sul.
A PF informou que não haverá prejuízos individuais aos aposentados, uma vez que a CEF deve recompor essas perdas.