10 de julho de 2026
Nacional

Advogados jogam culpa em outros acusados

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Alguns dos dez advogados que encerraram ontem a defesa oral dos acusados de integrar o esquema do mensalão apresentaram versões que se conflitam, além de justificarem desvios de condutas de seus clientes. “O Supremo tem que saber separar o joio do trigo, separar quem é mensaleiro de quem é inocente mensageiro”, disse Délio Lins e Silva, advogado dos irmãos Jacinto e Antonio Lamas, assessores do antigo PL (atual PR), partido comandado na época por Valdemar Costa Neto, um dos 40 denunciados. Lins e Silva ressaltou que os Lamas só cumpriam ordens de Valdemar ao irem apanhar dinheiro do valerioduto: “Meus clientes eram paus mandados”.

O advogado de Valdemar, Marcelo Bessa, que falara antes, disse que a denúncia tinha de ser rejeitada “simplesmente porque não pode ser provada”. Já o advogado Tales Castelo Branco, que representa o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes, afirmou que seus clientes não podem ser acusados de lavagem de dinheiro porque ignoravam a possibilidade de o dinheiro recebido ser de origem ilícita: “Ele (Duda Mendonça) foi compelido pelo PT”.

Duda diz ter recebido pagamento do PT de R$ 10 milhões, por serviços de publicidade, em uma conta aberta no Exterior. “Ocultar não é lavar dinheiro”, disse Tales, afirmando que a abertura da conta fora do país foi feita a pedido do PT.

Ele afirmou que seus clientes são acusados “por terem cometido a desgraça de dizer a verdade”, se referindo a depoimento à CPI dos Correios quando Duda falou sobre o pagamento. Ele disse que Duda está “desiludido, recluso, calado, voltado ao campo”: “Podemos não gostar do brinco que ele ostenta na orelha, mas atacar-lhe a honra é um crime”, afirmou.

O advogado de Roberto Jefferson, autor das acusações que em junho de 2005 deflagraram o escândalo, disse que a denúncia erra ao acusar quem revelou o esquema. “Ele nunca participou disso, ele é o denunciante do mensalão, termo inclusive cunhado por ele”, afirmou Luiz Francisco Barbosa, para quem o STF não conseguirá concluir o julgamento antes da prescrição dos eventuais crimes.

Ao todo, 27 advogados fizeram a defesa oral de 36 dos 40 denunciados. Quatro acusados - José Borba (PR), ex-líder do PMDB na Câmara, e três integrantes de corretoras que teriam integrado o esquema - não se defenderam oralmente.