Pederneiras - O acampamento Terra Nossa fica a 4 quilômetros de distância de Bauru e a 30 quilômetros de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). Apesar da disparidade nos números, a lei diz que a área ocupada por eles no Horto Aimorés pertence à cidade que, geograficamente, está mais longe da comunidade.
Fazendo valer a questão legal, ontem, uma comitiva da Prefeitura de Pederneiras se reuniu com os assentados para levantar prioridades e traçar metas visando “incluir” os habitantes do local no rol de serviços e programas municipais, trazendo melhor qualidade de vida para a comunidade.
Como resultado, Pederneiras deve “ganhar” cerca de 800 novos eleitores para a próxima disputa eleitoral, conforme Celso Costa, membro do acampamento e presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Agricultura Familiar Nossa Terra. Durante a reunião, em três oportunidades, foi destacada a necessidade dos assentados possuírem título eleitoral registrado no município onde residem para ter direito a cadastro em programas de auxílio, por exemplo. Um acréscimo de 3% no parque eleitoral da cidade, que na última eleição para prefeito era formado por 26.750 pessoas, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TER).
A maioria das 150 famílias que fazem parte do assentamento é proveniente de cidades da região de Campinas. Boa parte deles ainda têm vínculos eleitorais com a cidade natal, outros transferiram o título para Bauru.
Agora, com o direito da posse após luta de quatro anos, os moradores pretendem se tornar realmente cidadãos pederneirenses. “Na realidade, estamos em terra de Pederneiras. O que falta agora é regularizar a nossa situação no município. Entendemos que é importante as pessoas transferirem o título”, afirma Costa.
“Não havia transferido o título até agora porque não sabia se realmente iríamos conseguir a posse. Agora, vou fazer”, afirma Valdomiro Lino de Souza. Essa é a mesma situação de José Maria Sena. “Vou transferir agora”, afirma. Já Alcides Dias votou em Bauru na última eleição e também vai “aderir” a Pederneiras. “Já que somos de lá, temos que escolher quem nos governa lá”, pondera.
Dificuldade geográfica
A distância entre o Horto Aimorés e Pederneiras é a principal dificuldade enfrentada para que esse processo de inclusão se conclua com sucesso. Por estarem mais perto de Bauru, os moradores do assentamento têm quase todas as suas atividades ligadas ao município mais próximo (compras, estudos, saúde e vendas). Agregado a isso, está o fato dos acampados estarem há quatro anos habituados a essa situação.
“A situação é complicada porque eles estão muito mais próximos de Bauru do que de Pederneiras, mas a gente entende que, como eles fazem parte do nosso município, a utilização de serviços acaba acarretando dificuldades para Bauru, como na questão da saúde ou educação, por exemplo. Então, nós estamos viabilizando a possibilidade de transportar essas pessoas para realizar os serviços em Pederneiras”, afirma Ivana Camarinha, prefeita de Pederneiras. “Vamos fazer o que pudermos”, completa.
“Vai ser uma situação difícil, mas estamos contando com apoio integral da Prefeitura de Pederneiras e é importante. Porém, vai ser preciso tomar algumas atitudes. Por exemplo, nossos alunos que hoje estudam em Bauru terão que ser transferidos. Vai ser complicado no começo, mas vamos conseguir superar essa dificuldade”, reitera Costa.
Ontem, os acampados apresentaram as reivindicações que consideram ser de maior necessidade em diversas áreas. A prefeitura se comprometeu a estudar os casos e atender aquilo que considerar cabível. Hoje, já haverá campanha de vacinação no Terra Nossa.
“Já vínhamos atuando aqui e agora pretendemos incrementar as ações fazendo discussões para implantar melhorias aos moradores. Isso em diversas áreas, como educação, obras, cultura, agricultura... Sabemos que no trabalho público temos que atender cada vez melhor as pessoas mais carentes e trabalhar para a inclusão da sociedade. A intenção é estarmos juntos, tentando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”.