08 de julho de 2026
Nacional

Diretora da Anac renuncia ao cargo

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A diretora da Agência aNacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, entregou ontem carta de renúncia ao ministro Nelson Jobim (Defesa). Em nota lida por um assessor da agência, Denise Abreu alegou motivos pessoais para deixar o cargo. Na carta, a diretora solicita a renúncia “em caráter irretratável, por motivos pessoais”.

A diretora pediu que a sua carta de renúncia fosse encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem vai prestar esclarecimentos sobre as razões que a levaram a tomar essa decisão. A diretora vai conceder entrevista coletiva na próxima segunda-feira para explicar as razões da renúncia.

Denise Abreu chegou a convocar entrevista coletiva ontem, na sede da Anac, em Brasília, mas desistiu da idéia. Segundo assessores da agência, a diretora teve “outros compromissos” que a impediram de conceder a entrevista.

A renúncia ocorreu minutos depois de a procuradora da República Inês Virgínia Prado Soares ajuizar Ação Cautelar com pedido de liminar para que a diretora da Anac fosse afastada do cargo pelo prazo de 60 dias. Na semana passada, o Ministério Público Federal abriu dois procedimentos (nas esferas cível e criminal) para apurar o fato de a Anac ter entregue à Justiça Federal em São Paulo uma norma técnica sem valor legal.

Em sua defesa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara, que investiga a crise aérea brasileira, Denise informou que a inclusão do documento da agência sobre normas de segurança em pista molhada ocorreu por excesso de zelo.

Segundo ela, a intenção era confirmar - no idioma português - as normas internacionais escritas em inglês. Em contrapartida, a desembargadora Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal (TRF), considerou esse documento falso e lembrou que a entrega de todo o material da Anac foi feita pela própria Denise Abreu.

Substituto

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, evitou comentar o nome que irá sugerir ao presidente Lula para substituir Denise Abreu na diretoria da Anac. “Calma, calma. Vamos primeiro sair deste fato”, afirmou ele, referindo-se ao pedido de renúncia de Denise Abreu. Jobim não quis comentar a possibilidade de o substituto de Denise ser o brigadeiro Jorge Godinho, assessor especial do ministro da Defesa.

Para Jobim, a decisão de Denise Abreu foi “natureza pessoal”. E completou: “é uma decisão importante porque começa a fazer com que a Anac reduza seu grau de atrito, seu grau de tensão com a sociedade.”

O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, também evitou comentar a renúncia da diretora da Anac. “Vou conversar com o ministro porque não tenho nenhum dado além da renúncia”, limitou-se a afirmar.