09 de julho de 2026
Regional

Procuradores flagram precariedade em lavoura

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Pederneiras - Durante blitz do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Bauru, realizada ontem de manhã em lavouras localizadas no distrito de Santelmo, área rural de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), os procuradores José Fernando Maturana, Luis Henrique Rafael e Marcus Vinícius Gonçalves encontraram irregularidades nas condições de trabalho de um grupo de cortadores de cana.

Durante a fiscalização, o MPT encontrou algumas irregularidades como supostos EPIs (equipamentos de segurança) inadequados e o não fornecimento com antecedência aos trabalhadores do valor pago pela tonelada de cana colhida e também o não fornecimento da medição da produção no final do expediente diário.

Uma das preocupações dos trabalhadores ouvidos pela reportagem no local é o valor pago pela tonelada de cana cortada. Benedito Teodoro, 41 anos, explica que trabalha o mês inteiro e consegue retirar, em média, R$ 600,00 de salário. “O mês inteiro trabalhado. Tá ruim o preço da cana. Se eles pagassem um preço mais ou menos, a gente ia ganhar um pouquinho mais e aí o salário seria melhor”, comenta Teodoro, funcionário da Consórcio Rural Floresta, fornecedora do Grupo Zilor.

De acordo com Flávio Luís Urrea, chefe de departamento pessoal do Consórcio Rural Floresta, o preço da cana e a produção são fornecidos diariamente aos trabalhadores. Com relação aos equipamentos de segurança e sanitários, segundo ele, todos estão de acordo com as normas de regulamentação. “Os óculos fornecidos são de acordo com a regulamentação da NR 31 e têm os certificados de aprovação”, afirma.

De acordo com Urrea, se algum trabalhador estava usando óculos diferente do que é fornecido pela empresa, é por conta própria.

“Nós temos os óculos que são distribuídos para os motoristas e tratoristas que os cortadores de cana também querem, mas é proibido para eles”, explica Augusto Tadeu Sgavioli, representante do Consórcio, ressaltando que os óculos têm o certificado do Ministério do Trabalho.

Por outro lado, a fornecedora é uma das poucas das região a colocar à disposição dos trabalhadores um banheiro modelo instalado em um caminhão com divisões para homens e mulheres.

“É uma frente de serviço só. Eles trabalham todos juntos e é onde nós temos um banheiro que atende à legislação pelo número de funcionários (cerca de 200). Quando há uma turma mais distante, nós montamos o sanitário separado para os trabalhadores não precisarem andar muito até chegar ao banheiro”, argumenta Urrea. Ele explica que a média de sanitários por trabalhador nas lavouras do Consórcio é maior do que a recomendada pelo Ministério do Trabalho.

A blitz do MPT foi acompanhada por dirigentes sindicais de vários municípios, entre eles Eduardo Porfírio, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Mineiros do Tietê e diretor da Federação dos Empregados Rurais do Estado de São Paulo (Feraesp); e Vicente Alexandre Teixeira, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Barra Bonita. “O pessoal liga reclamando. Nós fazemos as denúncias para o MP e acompanhamos a diligência”, comenta Porfírio.