07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Ossos do ofício

O prefeito Tuga Angerami tem repetido, sistematicamente, em aparições públicas, que ao longo de seu mandato tem aberto gavetas e encontrado “esqueletos” - dívidas não pagas por gestões passadas. É certo que uma lista de medidas desastrosas de prefeitos anteriores foi herdada, gerando enormes prejuízos à cidade e o tamanho dessa conta ainda será sentido pelos próximos anos. Mas é preciso distingüir os ossos do ofício.

• Anti-esqueletos

“Esqueletos” como este que transformou em precatório (dívida judicial a ser paga, sem apelação) a desapropriação do Sambódromo são possíveis de serem evitados. Era só o prefeito ter sido informado (se é que não o foi) por sua assessoria jurídica ou pelo presidente da Cohab. Faria-se, então, uma negociação diferente, menos onerosa para o município. Afinal, são órgãos de um mesmo poder, sob responsabilidade de uma única pessoa: o prefeito.

• Cada um na sua?

Em 2006 este JC publicou em letras garrafais que a área onde está a esvaziada passarela do samba ainda era da Cohab e que havia pendência. A única forma de a administração ter evitado o pagamento quase de uma só vez do valor era ter se antecipado, com encontro de contas ou outra medida negocial, o que não ocorreu. Falharam a Cohab e a prefeitura neste caso. Qual é, afinal, a filosofia no atual governo? Cada um na sua e Deus para todos?

• Dívida com o DAE

E há outras sérias ameaças. A dívida de R$ 50 milhões da prefeitura com o DAE, também fruto da irresponsabilidade de gestões passadas, está aí. Por que os governos esperaram virar alguns precatórios? Por que o DAE não entrou com ação judicial contra quem deveria, à epoca? Agora anunciar comissão para depurar quem é devedor de qual fatura. Se o DAE afirma que tem conta de ponto de táxi e de escolas de samba que não são da prefeitura, então está confessando que cobrou errado, prejudicando o município?

• Devolução difícil

O vereador Primo Mangialardo (PV) encaminhou ofício ontem à prefeitura solicitando que a Secretaria de Negócios Jurídicos estude a possibilidade de devolução da área do Sambódromo à Cohab ou que a administração coloque-a à venda a fim de pagar a companhia. No entanto, as possibilidades deverão ter poucas chances de prosperar. Ordem de precatório é para pagar ou pagar.

• Octaviani desiste

O prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB), informa estar fora do páreo das eleições 2008 em Bauru. O chefe do Executivo alegou que, apesar das pesquisas realizadas na Cidade Coração de São Paulo terem apontado boa aceitação de seu nome, não poderia trair o povo agudense. “Fui reeleito com 60% da votação e a população não aceitaria minha renúncia, pois ficaria a impressão que estaria traindo e abandonando a cidade”, justificou Carlão.

• Ficará na reserva

Octaviani afirmou que será a primeira vez, após seis eleições consecutivas, que não disputará um pleito. “Seria um momento propício para disputar a eleição em Bauru e talvez nunca mais tenha uma chance como essa. Mas, em respeito aos cidadãos agudenses, ficarei no banco de reservas sem disputar as eleições”, destacou.