08 de julho de 2026
Geral

Computador facilita implante dentário

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Até pouco tempo, as pessoas sem dentes na boca tinham que enfrentar uma cirurgia dolorosa e de difícil cicatrização para voltarem a sorrir. Mas hoje a tecnologia já permite que esse martírio seja bastante reduzido. Uma clínica de Bauru utiliza técnica de implante dentário, na qual o computador é o ator principal, planejando todo o processo cirúrgico e facilitando a vida do dentista e do paciente. O método diminui as lesões, o tempo de cirurgia, o período de recuperação e permite que o implantado já saia do consultório com “boca nova”. Só existem dois entraves: o preço mais alto em relação ao procedimento usual e impossibilidade de ser executado em determinados casos.

Essa “cirurgia guiada” (nome como é conhecida a técnica nova) permite ao dentista antever os procedimentos e escolher com exatidão os locais do osso que melhor receberão os grampos de fixação da prótese. Ou seja, a intervenção é montada no computador. Esse planejamento prévio faz com que o cirurgião deixe de rasgar toda a extensão da gengiva do paciente para examinar o osso e escolher os locais para perfuração (método mais difundido). Outra vantagem é que, sabendo antes onde estarão as hastes para fixação, a prótese pode ser confeccionada antecipadamente, podendo ser instalada momentos após o procedimento.

O conceito é simples. O paciente faz uma tomografia computadorizada da cabeça e leva o disco contendo os resultados do exame ao dentista. Ele transfere os dados para o computador. Um software específico lê os dados e reproduz, em três dimensões, todo o crânio da pessoa.

Na tela, o cirurgião analisa a formação dos ossos da mandíbula e escolhe os locais onde serão fixadas as estacas. Com as informações, a máquina gera um desenho do molde da arcada dentária do paciente. Esse mapa é mandado para uma empresa da Suécia, que fabrica esse molde e envia para a clínica. Na hora da cirurgia, o dentista fixa o equipamento na boca da pessoa, fura o osso através dos orifícios demarcados no molde, fixa a prótese e pronto.

“Essa técnica elimina o método do retalho, que é a exposição do osso através do corte da gengiva. Com ela, o paciente sofre apenas os furos para fixação da prótese. Com isso, o paciente sofre menos agressão e tem o tempo de recuperação reduzido”, explica o dentista Renato Savi, que utiliza a técnica.

Mas os benefícios também são sentidos do outro lado. “Da nossa parte, economizamos tempo, já que o no procedimento não é preciso expor o osso e costurar a gengiva, e fazemos os furos com mais precisão, já que eles ficam indicados nos moldes”, completa seu colega Carlos Eduardo Francischone Júnior.

Os dentistas calculam que o método moderno, utilizado há um ano e meio na cidade, reduz o tempo de cirurgia de 2h30 para 30 minutos, no máximo. Já todo o processo cai de três para um mês em média, incluindo o tempo de confecção do molde na Suécia e envio para o Brasil. Esse processo encarece os gastos com o implante em R$ 1.500,00, segundo Savi e Francischone.

Vale a pena

A recepcionista Cleonice de Pierre passou pelos dois métodos de implante. Para ela, vale muito a pena fazer economia, gastar um pouco mais e realizar a cirurgia pelo método computadorizado. “É tudo imediato. Você já sai da cadeira com a prótese instalada. Além disso, a cirurgia é menos dolorida e a cicatrização é mais rápida porque você não sofre nenhum corte”, conta a mulher, que gastou R$ 3 mil a mais se comparado ao método usual de implante.

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Limitação

De acordo com Osny Ferreira Júnior, professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), nem todos os pacientes podem passar por esse tipo de cirurgia. Principalmente pessoas que perderam os dentes e demoraram bastante tempo para fazer a cirurgia.

“É um método ótimo, o problema é que tem certa limitação financeira e não serve para todos os pacientes. Aqueles que passam muitos anos sem dentes sofrem redução dos ossos da mandíbula. Nesses casos é preciso fazer um implante ósseo antes da intervenção”, explica o especialista em cirurgias dentárias. “Atualmente, a maioria dos pacientes para implantes múltiplos apresenta esse quadro”, completa.

Ferreira admite que o método é recente no Brasil, principalmente em cidades longe das capitais. No entanto, ele já existiria há algum tempo na Europa. “Seis anos atrás tive contato com esse método durante uma palestra proferida por especialista da Suécia, país onde a técnica foi desenvolvida”, afirma.