Há mais de um mês sem fiscalização eletrônica - de radares e lombadas -, os motoristas de Bauru estão pisando no acelerador. Desde quarta-feira, técnicos da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estão monitorando a velocidade dos veículos em diversas vias da cidade. O resultado é que 33,8% dos motoristas não respeitam a velocidade máxima indicada nas placas de sinalização. O mais apressadinho chegou a atingir 88 quilômetros por hora na avenida Nações Unidas, em trecho onde a máxima permitida é 60 km/h.
Como se trata de monitoramento e os radares não estou autorizados a operar de fato, não foi aplicada nenhuma multa. Anteontem, foram realizados quatro estudos em três pontos diferentes. Nos primeiros dois dias do trabalho, 586 veículos tiveram a velocidade verificada na quadra 43 da avenida Nações Unidas e na avenida Rosa Malandrino Mondelli, quadra 4. Do total de veículos, 198 estavam em velocidade acima da regulamentada para a via.
Na quadra 43 da Nações Unidas, no lado par, a Emdurb verificou a velocidade de 105 veículos: a metade estava a mais de 80 km/h e um motorista cravou 88km/h. Se esses veículos estivessem transitando no perímetro urbano da rodovia Marechal Rondon, seriam autuados – o máximo permitido no trecho é 80 km/h. No lado ímpar da Nações na mesma quadra, 232 carros e motocicletas foram monitorados. O motorista mais abusado atingiu 87 km/h.
Já na avenida Rosa Malandrino Mondelli, foi registrada a maior diferença entre a velocidade permitida e a máxima desenvolvida pelo motorista. No local, as placas determinam o limite de 50 km/h, mas uma carro foi flagrado a 79 km/h, velocidade 58% superior à permitida.
Apesar do resultado, o capitão João da Costa Duarte, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM), os motoristas continuam reduzindo a velocidade nos pontos de radares. Para ele, o fator psicológico da fiscalização eletrônica ainda é grande.
Tecnologia
Quando os novos radares forem instalados em Bauru, o número de pontos fiscalizados vai aumentar de 11 para 18. E a tecnologia será mais moderna. Os radares estáticos móveis são dotados de uma câmera conectada ao dispositivo laser e a um computador de mão (palmtop).
De acordo com o engenheiro do setor de planejamento viário da Emdurb, Fausto Bertoldo Tigre, o laser faz a leitura da distância entre o veículo e o radar, calculando a velocidade exercida pelo carro ou motocicleta. Se ela for maior do que a permitida, o próprio dispositivo aciona a câmera, que manda a foto para o palmtop. O computador, então, registra a velocidade flagrada, o local, dia e hora da infração e a velocidade máxima permitida para o trecho. Nos radares antigos, era utilizada uma bateria de caminhão. Além disso, o equipamento está mais barato, por conta da evolução tecnológica dos componentes eletrônicos.
Tigre destaca que, com os dados obtidos durante o monitoramento da velocidade dos veículos, será possível reavaliar as alterações feitas no trânsito desde o ano passado e desenvolver novos projetos.
A Emdurb investiu R$ 443 mil para a locação de 18 radares fixos, três lombadas eletrônicas e um radar estático pelo período de dois anos. Por mês, neste ano, a Emdurb tem arrecadado, em média, R$ 230 mil com multas aplicadas por estacionamento irregular radares e lombadas. No ano passado, a média era mais alta, de R$ 460 mil por mês.