São Paulo - O Ministério Público Estadual concedeu 30 dias de férias ao promotor Thales Ferri Schoedl, a pedido dele. A Promotoria disse que somente após esse período vai definir a cidade onde o promotor atuará. Até anteontem, estava certo que Schoedl trabalharia a partir de segunda-feira em Jales (585 quilômetros de SP), o que motivou protestos na cidade. Ele é o assassino confesso de Diego Mendes Modanez, morto em 2004.
Modanez viveu na cidade do Interior entre 1995 e 1996. Na quarta-feira, o promotor teve o cargo mantido pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público. Foram 16 votos a favor e 15 contrários à permanência.
Com o vitaliciamento, Schoedl continuará recebendo o salário (atualmente cerca de R$ 10,5 mil mensais) mesmo se for condenado pelo homicídio e pela tentativa - ele baleou outro rapaz, que sobreviveu. Mais: ele não irá a júri popular, como ocorre normalmente, e será julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O anúncio da nomeação para Jales revoltou moradores locais. Até a mudança de planos do Ministério Público, a Câmara de Jales planejava um ato de repúdio contra a chegada dele.
Ontem, a empresária Sonia Mendes Ferreira Modanez, 49 anos, mãe de Diego, disse, que, se pudesse, condenaria o promotor à morte. “Sou a favor (da pena de morte). Claro que existem casos e casos, também. Não vamos ser radicais”, afirmou Sonia. Quando a reportagem perguntou se, no caso específico, o promotor deveria ser condenado à morte, ela foi taxativa: “Pena de morte, sim senhor”.
Antes de saber das férias do promotor, a empresária afirmou que estaria em Jales na segunda-feira para participar de protestos contra o promotor. “Enquanto eu respirar, vou lutar até o fim dos meus dias para que ele (Schoedl) seja expulso da Promotoria”, disse Sonia. “Não é digno para Jales receber um promotor desses. Com que moral esse promotor vai trabalhar, defender, inocentar ou incriminar outra pessoa?”
A empresária afirmou, ainda, que o promotor mentiu ao afirmar que atirou em Diego em legítima defesa. “Doze tiros não são legítima defesa. Meu filho estava desarmado. É mentira o que estão falando, que mexeram com a namorada dele (Schoedl). A pivô da morte do meu filho é passado para ele: hoje ele está com outra.”
Ela fez críticas às pichações feitas anteontem em um muro de uma casa em frente à do promotor, na zona sul de São Paulo - entre as frases, podiam-se ler “mudem as leis”, “Justiça” e “Ministério Público, a vergonha do Brasil”. “Não acho isso legal. A família dele, a casa, as pessoas têm que ser respeitadas. Isso não vai ajudar”, afirmou.