08 de julho de 2026
Ser

Compulsão também pode incluir prática de sexo virtual

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 2 min

Começa com uma troca de palavras e pode chegar a cama de fato, ou não. Pessoas que usam a Internet ou o telefone para satisfazer seus desejos sexuais ou complementam o sexo “ao vivo” através da web podem ser caracterizados como compulsivos, segundo o psicólogo e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash), Oswaldo Rodrigues Jr.

“São principalmente homens usando nomes femininos nessas incursões sexuais. Muitas vezes esta é a forma buscada para relaxar frente a situações de ansiedade e estresse”, alerta Rodrigues. Também, se a Internet é usada para marcar encontros furtivos que atrapalham a rotina e os relacionamentos, esse pode ser um indício de compulsão. “Senão temos controle sobre nosso comportamento, este é um comportamento compulsivo. Sempre”, sentencia o psicólogo.

Por sua vez, o mestre em sexologia Charles Rojtenberg diz que estar vinculado “sexualmente” apenas pela rede é um problema sério. “As pessoas não podem deixar suas vidas reais”, diz. Mas, ainda segundo o sexólogo, a Internet não pode ser culpada, já que ela é usada também para relacionamentos sérios.

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Ninfomania

Ao contrário do que muitos pensam, a ninfomania é um termo exclusivo para definir a compulsão sexual feminina. O nome “ninfomania” era usado no início do século 20 e continuou a ser empregado até meados da década de 80. Hoje, na verdade, o termo praticamente caiu em desuso. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash), Oswaldo Rodrigues Jr., o nome “ninfomania” carrega um sentido moral forte e não ajuda no reconhecimento das condições psicológicas das pacientes ou determina um tratamento.

O termo refere-se erroneamente às ninfas da mitologia grega, semidivindades femininas que teriam habitado os bosques da Grécia e eram perseguidas pelos Sátiros. Estes as procuravam em busca de sexo, contra o qual a deusa da caça as deveria proteger.

A palavra “ninfomania” foi cunhada pelo médico francês D.T. Bienville. Ele escreveu a obra “A ninfomania ou tratado sobre o furor uterino”, publicado em 1786, em Veneza. Após a publicação do estudo, o termo passou a referir-se às mulheres que desejam fazer sexo de modo inesgotável e continuado. Outro termo usado é “Messalina”, em referência à imperatriz romana que se disfarçava para sair em busca de parceiros sexuais.

Para os homens, um dos muitos termos usados é “satiríase”, como aponta o sexólogo Charles Rojtenberg. A compulsão sexual tem tratamento através da psicoterapia comportamental cognitiva, às vezes com uso concomitante de medicamentos psiquiátricos, diz Rodrigues.