08 de julho de 2026
Geral

Consumidor não sabe identificar selo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Consumidores ouvidos pelo Jornal da Cidade enquanto faziam compras em supermercados de Bauru mostraram total desconhecimento a respeito do selo que indica se um produto tem ingredientes geneticamente modificados. Eles dizem nunca terem visto o tal selo. A maioria, no entanto, sabe o que é um alimento transgênico, mas se divide entre comprar e não comprar.

“São produtos modificados geneticamente para ficarem mais resistentes a pragas, para aumentar a produção e reduzir o preço”, diz o aposentado Osvaldo Perri, 59 anos. Ele revela que nunca viu um selo alertando se determinado produto era transgênico ou não. “Não costumo olhar o que está escrito na embalagem. Às vezes, posso ter levado e nem percebi.”

Para ele, o mais importante é saber o preço e se o produto tem qualidade. “São essas duas coisas que levo em consideração. Não tenho nenhuma restrição em comprar um alimento transgênico”, afirma o consumidor.

A professora universitária Lia Grego Muniz de Araújo, 31 anos, também sabe definir o que é um produto transgênico, mas não tem tanta segurança sobre seus efeitos. “Eu teria receio de comprar se soubesse que um produto tem ingredientes transgênicos”, revela.

Mesmo que visse o selo dos transgênicos na embalagem, Lia não saberia do que se trata. “Eu nunca vi (o triângulo com a letra “T” no centro), mas se tivesse visto não saberia o significado”, comenta ela. A pedagoga Dalila Sandra, 49 anos, também nunca ouviu falar do tal selo e não saberia identificá-lo se o visse em alguma embalagem.

Apesar de todo esse desconhecimento, a nutricionista Sylvia Tosi diz que não há motivo para alarde. “Atrás dessa polêmica existe muita pesquisa, e até agora nada grave foi descoberto”, enfatiza.

O biólogo Marcelo Menossi, do Departamento de Genética e Evolução da Unicamp, vai mais longe. “O consumidor pode ficar absolutamente tranqüilo. Já foi comprovado que nutricionalmente os alimentos transgênicos não ficam devendo nada aos tradicionais”, garante.

Ele acredita que dentro de cinco anos haverá mais plantações transgênicas e, conseqüentemente, uma oferta maior de alimentos geneticamente modificados nas prateleiras dos supermercados. Entre os benefícios apontados pelo biólogo está o uso de menos agrotóxicos nas lavouras, o que poderá refletir positivamente no meio ambiente e no custo da produção.

Sylvia Tosi cita uma pesquisa que está sendo feita para o enriquecimento do arroz com betacaroteno – molécula capaz de se transformar em vitamina A. Uma equipe da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está estudando uma espécie de feijão transgênico resistente à seca, que poderá ser cultivado por pequenos produtores do semi-árido nordestino.

O professor Jehud Bortolozzi, do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp, é mais enfático e otimista em suas previsões. “O alimento transgênico é a salvação da humanidade na questão da fome”, aposta ele, que cita ainda melhoramentos que podem ser feitos por meio das modificações genéticas. “Antes, tínhamos de comer a goiaba ainda verde porque se esperasse ficar madura criava bicho. Hoje, é possível comprar goiaba madura sem bicho”, lembra.

Para Bortolozzi, é difícil saber aonde vão parar as pesquisas sobre alimentos transgênicos. Mas de uma coisa ele está certo: “Não podemos podar o progresso da ciência. Temos de deixar os cientistas trabalharem”, sugere.