08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda... as calçadas!


| Tempo de leitura: 2 min

Diante de um fato tão importante, cujo futuro é preocupante, resolvi contar experiências, sem contudo defender o mérito de qualquer leitor ou leitora. O assunto é para se pensar, indubitamente.

Certa vez dialoguei com um colega de empresa, italiano radicado no Brasil, muito culto. Curioso, perguntei-lhe qual foi a sua primeira impressão deste nosso Brasil. Respondeu-me: foi a fartura! Mas foi um grande susto. Chegando aqui fui para uma hospedaria de estrangeiros. No dia seguinte acordei com o pessoal da limpeza jogando baldadas de água para limpar o piso. Perguntei-lhe, mas o que tem nisto? Respondeu-me que na Itália não se vê esta cena; no máximo passa-se um pano úmido no piso. Esta estória não mudou meus hábitos até então.

Na busca de meus ancestrais, fui eu para Itália. Era a “prima volta” cheio de curiosidades. Uma delas é que acompanhado de amigo anfitrião, atravessávamos quase que diariamente uma grande ponte. Olhava para baixo e só via pedras. Pensei, deve ser obra faraônica. Perguntei-lhe a razão e ele disse que era um rio. Mas cadê a água? Disse-me que na Itália tem poucos rios, e os que tem, mormente nascem das geleiras. “Escorre” só em determinada época.

Noutro dia fomos dar uma faxina no apartamento de sua irmã Rosa onde estávamos hospedados já, que a mesma havia saído em viagem. A primeira coisa que fiz foi encher o balde, joguei logo na sacada que era visível para a rua. Fui severamente advertido pelo desesperado anfitrião que afirmava que teríamos encrencas se alguém visse.

Rosa veio ao Brasil, e aqui mesmo em Bauru presenciou uma lavagem de calçadas. Brincou comigo: Mamma Mia! Na mia terra chamam a polizzia.

“Noutra volta” fui repreendido pelos banhos noturnos, diziam que fazia barulho a ponto de despertar a atenção dos condôminos à despeito esgotar o reservatório. E dai por diante. Conclui-se que eles tão somente são só conscientes.

Tem é medo!

Não conto detalhes por questão ética e respeito (eles tem suas razões), mas a economia alcança até a forma de uso de sanitários.

Hoje uma vez por semana lavo um pedaço de calçada porque tenho alergia à poeira, fuligem, como os outros; mas pesa. Não me sinto nada cônscio. No entanto, já não deixo a torneira aberta quando escovo meus dentes.

Pensem!

Paulo De Marchi Sobrinho - RG 3.610.176-X