09 de julho de 2026
Bairros

Assistência oficial atinge 1% de idosos

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 5 min

“A situação já foi pior, mas estamos melhorando cada vez mais.” A afirmação é da assistente social Maria Cristina Marques Rossi, responsável pelos Centros de Convivência para o Idoso, programa da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), voltado para o atendimento à população com mais de 60 anos. Nesses centros de convivência são atendidas 184 pessoas, divididas em quatro locais diferentes: Bela Vista, Nova Bauru, Independência e Tibiriçá. Além de atividades físicas, artesanato, oficinas de dança e de memória, os idosos que freqüentam os centros vão a passeios organizados pelos coordenadores.

Segundo Cris Rossi, a intenção é fazer com que a população atendida tenha qualidade de vida. “Quando nós promovemos um bingo matemático, por exemplo, o intuito não é só jogar bingo, mas desenvolver a capacidade de raciocínio e de memória nesses idosos”, afirma.

Se colocarmos na frieza dos números, o atendimento da Sebes aos idosos ainda é mínimo. Além dos 184 nos centros de convivência, a secretaria atende mais 220 idosos, aproximadamente, divididos nos dois abrigos e em programas de proteção especial. Confrontando esses números com os dados da Fundação Seade, que mostram que a população acima de 60 anos em Bauru chegou a 39.968 pessoas, em termos de atendimento, a rede de assistência municipal atinge apenas 1% desta população.

A assistente social Cris Rossi explica que a atenção básica ao idosos ainda engatinha no Brasil, por isso mesmo há certa dificuldade em atingir números expressivos no atendimento. Segundo ela, não há formação profissional específica para lidar com essa população, já que, normalmente, as áreas de atenção são mais voltadas para crianças e adolescentes. “A formação é voltada para criança, adolescente e família, e não enxerga o idoso nesse contexto, esquecendo que muitas vezes eles são o arrimo da família”, destaca.

A principal preocupação dos programas oferecidos pela Sebes é evitar o abrigamento e isolamento dos idosos, o que era muito comum antigamente, e, em alguns casos, ainda é. A principal dificuldade está justamente no preconceito relacionado a esse grupo populacional.

O jovem é o alvo central da preocupação social, o que relega o idoso a segundo plano, para não dizer terceiro. Neste aspecto, os programas de atenção básica do município acabam se tornando o refúgio para muitos idosos.

Uma das curiosidades apontadas pela assistente social é o fato de os centros receberem muito mais mulheres que homens. Segundo ela, uma das grandes dificuldades é levar o homem ao convívio dos demais de sua idade. “Nós vivemos em uma sociedade machista, em que ainda prevalece a figura do homem ser mais forte, e por isso mesmo eles relutam em participar”, explica.

Os centros de convivência são freqüentados por idosos com ou sem família. E há casos como de Adilce da Costa Banzatto, de 64 anos, que participa do grupo da Bela Vista. Ela vive com o marido Santo Banzatto, de 78 anos, mas ele não vai ao centro de convivência e prefere ficar em casa. Já Adilce gosta do grupo e participa há cinco anos das atividades. “É bom, porque estou ocupando minha cabeça. Gosto de dançar, me divertir”, afirma.

No grupo menor, de homens, o aposentado José Alves é um dos freqüentadores. No centro de convivência que funciona no CSU da Bela Vista, é possível encontrar Alves e seus colegas de grupo jogando cartas, principal diversão dos idosos que vão ao local, pelo menos a ala masculina.

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Serviços especiais

A partir da implantação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) em Bauru, houve uma reorganização na política de assistência social e ela foi dividida em duas redes: básica e especial. A rede de proteção especial ao idoso trabalha com indivíduos e famílias em situação de risco pessoal e social.

Entre os programas de proteção especial da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) está o Serviço de Atendimento Domiciliar ao Idoso (Sadi), financiado pela secretaria e realizado pela Universidade do Sagrado Coração (USC), que disponibiliza profissionais e estudantes para o atendimento ao idoso em sua casa. Além de financiar, a Sebes faz o monitoramento dos serviços.

A diretora do departamento de proteção especial, Maria Cristina de Souza, explica que o programa é voltado para pessoas em condições especiais, que não têm mais condições de se locomover para participar dos centros de convivência. Atualmente são 30 idosos atendidos pelo Sadi, que conta com equipe de quatro cuidadores. “Os cuidadores vão fazer o trabalho de organizar a rotina dos idosos”, explica.

Além do Sadi, o fundo de assistência social da Sebes financia o Centro Integrado, feito em parceria com a Fundação Toledo (Fundato), para atender vítimas de violência, não só física, mas também moral, como casos em que os idosos tiveram seus cartões de benefício tomados ou convivem com filhos dependentes químicos, que acabam agredindo os pais.

Outro projeto financiado pela secretaria é o Centro Dia, que atende 20 idosos e funciona na Vila Vicentina. O programa e uma espécie de creche voltada para os idosos, que não têm com quem ficar durante o dia, já que as famílias trabalham e não podem tomar conta dessas pessoas.

O último recurso em termos de atendimento aos idosos é o abrigamento. Em Bauru, apenas dois abrigos são credenciados a receber esta população: a Associação Beneficente Cristã – Paiva, e a Vila Vicentina. Os dois abrigos recebem, juntos, perto de 180 idosos. Segundo Cris Souza, a intenção é fazer com que os idosos que ainda possuem família restabeleçam os vínculos familiares para sair do abrigamento. Outro projeto para o próximo ano é criar as repúblicas, que seriam alternativas aos abrigos, onde morariam aqueles com mais independência.