10 de julho de 2026
Ciências

Dieta da gordura faz mal ao cérebro

Por Giovana Girardi | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Mais um ponto contra a obesidade. Uma dieta rica em gordura não apenas faz mal ao coração, como também, agora se descobriu, é danosa ao cérebro. Um novo estudo mostra que um certo grupo de neurônios deixa de funcionar direito diante de altos níveis de gordura. Isso abre caminho para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

A relação entre obesidade e diabetes já era conhecida dos médicos, mas pela primeira vez cientistas sugerem que a doença não está ligada apenas ao pâncreas. É como se ela estivesse, literalmente, na sua cabeça. No cérebro há um grupo de neurônios conhecidos por sua sensibilidade ao açúcar. Eles ficam “excitados” diante de glicose, mas ninguém tinha entendido ainda qual era a função disso.

Estudo publicado no site da revista “Nature” (www.na ture.com) mostra que esses neurônios detectam quando o nível de glicose sobe e desencadeiam um processo para restabelecer a normalidade. A equipe internacional, liderada por Bradford Lowell, da Escola Médica de Harvard, descobriu essa função ao trabalhar com camundongos geneticamente modificados para que esse grupo de neurônios não funcionasse adequadamente.

Na presença de glicose, os animais deixaram de processá-la corretamente e apresentaram intolerância ao açúcar - estágio anterior ao diabetes. Em outro experimento, a equipe avaliou camundongos obesos e observou que uma dieta rica em gorduras prejudica o funcionamento desses neurônios.

____________________

Aplicações terapêuticas

O problema parece estar em uma proteína conhecida como UCP2, que regula negativamente a sensibilidade dos neurônios à glicose. O excesso de gordura aparentemente faz aumentar a presença dessa proteína, explica a pesquisadora Laura Parton. “Esse estudo é importante por identificar que há neurônios específicos envolvidos com os mecanismos do diabetes. Com um melhor entendimento, talvez seja possível obter drogas melhores para a doença’’, afirma o endocrinologista Mario Saad, da Unicamp.

Os pesquisadores acreditam que a chave do processo pode ser a UCP2. Remédios que modulem seu funcionamento poderiam melhorar o controle glicêmico em obesos, acreditam.