O eletricista Aroldo Marçal da Silva registrou ontem um boletim de ocorrência na Corregedoria da Polícia Civil protestando contra a ação de policiais que, pela manhã, entraram em sua casa, no Parque Santa Edwirges, durante uma investigação. Segundo ele, além de quebrarem a porta e um cano de sua residência, os policiais teriam abusado da autoridade e agredido verbalmente toda a família, além de não terem apresentado um mandado de busca.
Silva não identificou os policiais, mas acredita que um delegado tenha estado em sua casa porque o homem era chamado de doutor pelos demais. Ele também diz ter visto viaturas do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) na frente de sua casa.
De acordo com o eletricista, a polícia procurava por suspeitos de envolvimento em um roubo em Avaré, onde seu filho, Júlio César Felipe Marçal, havia trabalhado. O jovem foi levado para a delegacia, ouvido e liberado.
Silva não contesta o trabalho da polícia, mas a maneira como ele foi realizado. “A polícia tem que fazer a sua parte, o que eu não concordo é com a violência com a qual eles agiram, ofendendo, falando palavrão”, diz. A casa de um vizinho do eletricista também foi “visitada”.
“Lá quebraram o vidro da porta, jogaram bomba de pimenta dentro de uma casa que tem criança. Uma coisa desnecessária”, conta. Segundo o eletricista, os policiais que invadiram sua casa não mostraram mandado nem qualquer outro tipo de documento. Quando perguntados sobre isso, se tornaram mais grosseiros.
Indignado, Silva foi até a corregedoria. “Eu nunca pensei que a polícia trabalhava assim. Hoje eu entendo porque a população do Rio de Janeiro atrapalha a subida da polícia no morro... Se toda polícia do País agir desse jeito, a população pobre do Brasil está perdida”, afirma.
Procurado pelo JC, o delegado seccional Doniseti José Pinezi, afirmou desconhecer detalhes sobre o caso e por isso não se manifestou. “O que eu posso dizer é que a Polícia Civil de Bauru trabalha dentro da legalidade. Se alguém passou dos limites, a corregedoria está aí para isso, para apurar os fatos”, disse. De acordo com Renato Cagnacci, delegado da Corregedoria da Polícia Civil, as acusações do eletricista vão ser apuradas e, se for o caso, será instaurado um procedimento na esfera disciplinar.