08 de julho de 2026
Bairros

Ovos eclodem e pernilongos atacam

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O inverno ainda não acabou, mas as temperaturas já subiram e a guerra contra os pernilongos já começou a ser travada em Bauru. Às dezenas, eles estão invadindo residências, trazendo incômodo e muito trabalho para os moradores da cidade.

Quem está sentindo o problema mais intensamente são os bauruenses que moram em bairros próximos a rios e áreas com muita vegetação. E com a proximidade da primavera, quando o calor deve aumentar ainda mais, a tendência é que essa praga passe a se proliferar com maior rapidez.

“Mesmo sem chuva, a temperatura alta favorece a eclosão dos ovos, por isso essa infestação de mosquitos”, explica a coordenadora do Programa de Controle da Dengue do Centro de Controle de Zoonoses, Kelly Cristina Jacinto Mercado. Ela acredita que os mosquitos que estão invadindo as residências na cidade são do gênero culex, que se dissemina próximo a regiões de rios e plantas.

“O culex, ao contrário do Aedes aegypti, se prolifera em qualquer tipo de água, parada ou não. E ele se alimenta da seiva das plantas. Por isso é atraído para onde há muita folhagem”, esclarece.

É exatamente nos vasos de plantas da dona de casa Maria José Rodrigues Marcelino, 55 anos, que os mosquitos se escondem. Moradora do Jardim Guadalajara, ela cultiva algumas flores-de-maio, de onde eles surgem em bandos.

“No final da tarde, formam aquelas nuvens de pernilongos e o teto fica cheio deles. Há dias em que chego a recolhê-los com a pá”, conta Maria, que usa inseticidas de tomada dentro da casa e repelente em espiral nas portas da sala e da cozinha. “A vizinhança inteira está reclamando. Já não bastasse o rio, ainda há pessoas que não têm consciencia e deixam lixo e mato, que aumentam a quantidade de mosquitos”, observa.

No bolso

Além do incômodo das picadas, a infestação de mosquitos também afeta o bolso do bauruense, que precisa montar um verdadeiro arsenal para combater a praga. O eletricista aposentado Sidnei Antônio Costa, de 50 anos, morador do Jardim Coralina, afirma que usa em média dois frascos de 450ml de inseticida semanalmente. O gasto mensal, segundo ele, fica em torno de R$ 50,00.

“Fico todos os dias, das 18h às 19h, matando os pernilongos. Eles são enormes e surgem aos montes. Dá até medo”, revela Sidnei, que diz tomar todos os cuidados preventivos para eliminar possíveis criadouros. “A gente faz a nossa parte, evitando deixar água empoçada. Mas a prefeitura precisa fazer uma nebulização, porque o bairro todo está infestado”, destaca.

Moradora do Jardim Marambá, a bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli, 35 anos, também enfrenta os mesmos problemas, mas buscou formas alternativas de combate aos pernilongos. Como ela e os dois filhos são alérgicos a inseticidas, só utiliza métodos naturais para espantar os insetos indesejáveis.

“Uso óleo de citronela diluído em água no ralo, no quintal e para a limpeza da casa. Uso também aquele aparelho repelente de tomada, só que no lugar da pastilha coloco casca de laranja ou limão. E pulverizo o ambiente com cravo e canela imersos em álcool”, conta. E já que ninguém na casa quer saber de pele coçando com as picadas, todos já aderiram à regra imposta por Teresa. “Depois das 17h, aqui é lei: todas as portas e janelas são fechadas”, enfatiza.

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Prevenir é o melhor remédio

A prevenção é a melhor saída contra os pernilongos, afirma Kelly Cristina Jacinto Mercado, do Centro de Controle de Zoonoses. “O melhor é impedir que eles nasçam. Para isso, é importante não deixar acumular água em vasos, pneus, latas e garrafas, estar atento à caixa d’água e colocar sal ou água sanitária nos ralos pelo menos uma vez por semana”, orienta. Para o combate dos mosquitos que estão invadindo as casas, ela indica a utilização de repelentes naturais como a citronela ou telas de proteção nas janelas e portas.

Segundo informou Kelly, a prefeitura é o único órgão autorizado na cidade a fazer nebulizações, mas a operação só ocorre depois da confirmação de pelo menos um caso de dengue. “Quando recebemos a notificação, a nebulização é feita em um raio de 200 metros a partir do local onde foi registrado o contágio”, esclarece.