Quando você lê a palavra Amazônia, em que pensa? Num vasto tapete verde, ao norte do Brasil, que abriga 34% das reservas mundiais de florestas? Numa região onde se encontra 80% da água disponível do território brasileiro? Numa imensa parte de nosso país - 60% - que abriga 34% das reservas mundiais de florestas e uma gigantesca reserva de minérios? Num imenso “parque”, onde podem ser encontradas 30% de todas as espécies de fauna e flora do mundo? A Amazônia é tudo isso e muito mais. Formada por nove Estados brasileiros, tudo ali é grandioso, tem, de fronteiras internacionais, 11.248km; de costa atlântica, 1.482km; seus rios navegáveis compreendem 22 mil km; sua população é de 23 milhões de habitantes, dentre os quais 163 povos indígenas, que totalizam 208 mil pessoas - ou seja, 60% da população indígena brasileira...
A Amazônia em termos de biodiversidade sofre terríveis ataques. O maior risco e mais pernicioso, fisicamente mortal, vem da destruição das reservas florestais, da poluição dos rios, da mortalidade dos peixes, aves e outros animais. É a morte que chega. O poeta latino Virgílio põe nos lábios de Eneás a célebre sentença: “Et campos ubi Troia fuit” - “Eis os campos onde existiu Tróia”. Terrível se um dia chegar um outro Enéas à Amazônia e disser: “Eis o deserto que foi a Amazônia!”...
Conhecer a realidade da Amazônia, sua história, as expressões de sua cultura, os desafios vividos pelos missionários - muitos deles, estrangeiros - é um pequeno e humilde passo. Mas pode ser um primeiro passo para “aproximar” a Amazônia de todos nós. Não nos esqueçamos: “Cristo aponta para a Amazônia.” Que a Amazônia, berço acolhedor de tanta vida, seja também o chão da partilha fraterna, pátria solidária de povos e culturas, casa de muitos irmãos e irmãs...
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa